segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Coluna: Neuer e os nerds

De Belo Horizonte. 
Por Matheus de Oliveira. 

08/12/2014 - Ano passado escrevi aqui sobre os finalistas do prêmio Bola de Ouro da Fifa, aquele que é entregue ao que capitães e técnicos de seleções e alguns jornalistas elegem como o melhor jogador do mundo na temporada. Volto ao assunto, pois sempre há uma surpresa na lista de finalistas. Em 2013 foi o francês Ribéry, que, entre Messi e Cristiano Ronaldo, disse eu, era um ‘Mate Couro’ em meio a duas ‘Coca-Colas’. Desta vez, o espanto foi ver o goleiro Manuel Neuer, do Bayern de Munique e da Seleção Alemã, entre os três que mais receberam votos. Saberemos o vencedor em 12 de janeiro.

O estranhamento, acredito, foi geral. Não pelo Neuer, um excelente goleiro e, atualmente, o melhor entre os que vejo jogar. Mas pelo fato de que qualquer rapaz que se prontifica a atuar debaixo dos três paus sofre de uma quase invisibilidade. Poucos são os 'Rogérios Cenis' da vida, mas este ainda aparece por bater faltas e pênaltis e fazer lançamentos à la Gerson ‘canhotinha de ouro’.

O goleiro é para o futebol como o nerd (ou CDF) é no colégio. Excluído, fica na dele, é sempre solicitado, mas quase nunca tem o trabalho reconhecido. O arqueiro que leva um ‘frango’ após cinco defesas fantásticas não será perdoado se deste gol vier a derrota de sua equipe.

Getty Images
Há algum tempo penso também na pouca valorização que dão aos jogadores de defesa em geral. Do goleiro ao segundo volante – que, como os laterais, também têm obrigações ofensivas. Nestas listas de melhores daqui e dali, quase nunca se vê alguém quem joga atrás. Uma exceção foi o zagueiro italiano Cannavaro ter conseguido a Bola de Ouro em 2006, em uma eleição questionável e que também deixou a maioria boquiaberta.

Mas, desta vez, a surpresa é unicamente pelo fato de Neuer ser goleiro. Pelo que fez na última temporada, merece estar entre os três indicados. Realizou uma Copa do Mundo espetacular, na qual ficou marcado por praticar defesas difíceis com facilidade e por jogar adiantado, quase um líbero.

Os dois outros nomes, óbvios: Cristiano Ronaldo, do Rial Madri (assim diriam nossos irmãos portugueses), e Messi, do Barcelona. O argentino foi o melhor que já vi, pelo conjunto da obra. Mas Cristiano foi, pela segunda vez, o melhor da temporada. Messi é gênio pelo talento e o madridista se tornou, principalmente, pelo esforço. Quem o conhece diz que o cara trabalha como poucos e é perfeccionista. Talvez seja Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC, e mereça uma conversa com qualquer psiquiatra. Se for, deixe para tratar após pendurar as chuteiras, portuga.

Voltando a falar sério, Neuer é um nome que me deixa feliz: finalmente o reconhecimento a um goleiro. Pelo inusitado de ele estar entre os três melhores, indica, para muitos que ouvi, que ele levará o troféu. Não duvido e seria menos injusto do que foi Messi estar entre os três melhores. Messi não foi Messi nas duas últimas temporadas. Se bem que, procurar um terceiro nome para integrar a lista, também não é fácil.

A meritocracia aponta para Cristiano Ronaldo levar essa, mas, em solidariedade aos jogadores de posições que sofrem bullying, não consigo deixar de torcer para o Neuer.

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