quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sem sustos

Mesmo derrotado pelo Bolívar, San Lorenzo aproveita grande vantagem e encara o Nacional na final da Libertadores

De Belo Horizonte.
Por Júlia Alves.

30/07/2014- Devido à ampla vantagem construída na primeira partida da semifinal da Taça Libertadores, quando venceu por 5 a 0, o San Lorenzo teve vida fácil no segundo confronto contra o Bolívar, no Estádio Hernando Siles, em La Paz, na Bolívia. A derrota por 1 a 0 foi mais que suficiente para garantir os argentinos na final pela primeira vez na história. A altitude de La Paz não foi problema para o time do Papa Francisco, que, com a obrigação de apenas administrar o jogo, abriu mão de atacar e teve o tempo como o seu aliado. O Bolívar sabia da tarefa difícil que tinha pela frente e lutou até o fim por pelo menos seu gol de honra, que só foi marcado nos acréscimos da partida. A torcida boliviana saiu de cabeça erguida, após uma campanha histórica e com o feito de ser o único time boliviano a chegar a essa altura da competição.

Na terça-feira (30), o Nacional-PAR conquistou a primeira vaga da decisão e será o adversário do San Lorenzo. O time paraguaio foi derrotado pelo Defensor-URU por 1 a 0, porém, havia vencido o primeiro confronto por 2 a 0 e levou a melhor no agregado. O primeiro duelo da inédita final será na próxima quarta-feira, dia 6, em Assunção. O segundo jogo será em Buenos Aires, dia 13.

O San Lorenzo alcança sua primeira final, assim como seu próximo adversário, o Nacional.
(Foto: AFP)

O jogo

A altitude aliada a cinco gols de vantagem fizeram que o San Lorenzo renunciasse a opção de ir ao ataque na partida. O time do Papa apenas administrava o resultado construído no primeiro confronto, com a defesa muito bem fechada e explorando o toque de bola. Precisando de um verdadeiro milagre, o Bolivar tentou, porém, falta qualidade técnica para vencer a marcação adversária.

O Bolívar, com a difícil tarefa de golear o San Lorenzo, não perdeu tempo e partiu para o ataque nos primeiros minutos. Aos quatro minutos, Tenorio recebeu pela direita, soltou o pé e a bola foi para fora levando perigo. Dois minutos depois, Capdevilla partiu pela esquerda, chutou com efeito e acertou o travessão. Entretanto, a pressão bolivariana não durou muito. Os donos da casa ficaram rodando a bola em busca de espaços na defesa adversária e arriscando chutes de fora da área que não ameaçaram a meta de Torrico.

O San Lorenzo administrou a vantagem e pouco procurou o gol. A equipe argentina trocava passes com tranquilidade, fazendo o tempo passar e se poupando fisicamente para suportar o desgaste de jogar na altitude. Mesmo sem adotar uma postura ofensiva, os argentinos cresceram no final do primeiro tempo e quase abriram o placar. Aos 26 minutos, Villalba cruzou da direita para Blandi, que quase alcançou a bola, mas Cabrera cortou em direção ao seu próprio gol e o goleiro Quiñonez apareceu para salvar. Piatti recebeu na esquerda aos 37 minutos, tentou por cobertura e Quiñonez espalmou mais uma vez.

No segundo tempo, só deu Bolívar. Com menos de um minuto, Callejón cruzou da direita, Arce recebeu e rolou para Chávez que, caído, chutou para fora. Aos sete minutos, Álvarez rolou para Arce, que chutou forte, mas o goleiro argentino fez a defesa. Em seguida, Arce cobrou dois escanteios seguidos e no segundo encontrou a cabeça de Eguino, livre, que cabeceou para fora. Aos 16 minutos, Tenorio foi lançado na área, mas Torrico se antecipou e tirou o perigo.

À medida que o tempo passava, a decisão da Libertadores ficava mais distante do time boliviano. A torcida pouco se importava e não parava de cantar e apoiar nas arquibancadas. Dessa maneira, o Bolívar passou a jogar por seus torcedores e uma eliminação mais digna. No entanto, por mais que os jogadores insistissem, o gol de honra teimava em não sair. Aos 20 minutos, Capdevilla cruzou da direita, Arce cabeceou meio sem jeito e a bola saiu por cima do gol de Torrico.

Quando todos já davam o empate como certo, o Bolívar balançou as redes. Capdevilla cruzou da esquerda e a bola sobrou para Yecerotte na direita mandar de voleio, de primeira, para fazer um lindo gol. A torcida foi ao delírio e mostrou, que, mesmo eliminado, orgulhava-se da campanha histórica do seu time, o primeiro boliviano a chegar a uma semifinal da Taça Libertadores.  

Ficha de jogo:

Bolivar 1 x 0 San Lorenzo

BOLIVAR:
Quiñónez; Eguino (Yecerotte), Baez, Herrera, Álvarez e Capdevilla; Cordoba (Rudy Cardozo), Chávez Sánchez, Callejón (Óscar Rodas); Arce e Tenorio.
Técnico: Xabier Azkargorta

SAN LORENZO:
Torrico; Prósperi, Mauro Cetto (Fontanini), Gentiletti e Más; Villalba, Piatti (Kannemann), Mercier, Ortigoza e Romagnoli (Barrientos); Blandi.
Técnico: Edgardo Bauza

Local: Estádio Hernando Siles, em La Paz (Bolívia)
Data: 30/07/2014
Horário: 21h15 (de Brasília)

Gol: Yecerotte, aos 46 minutos do segundo tempo (Bolívar)

Árbitro: Carlos Vera (Equador)
Assistentes: Christian Lescano (Equador) e Byron Romero (Equador)

Cartões amarelos: Capdevilla, Nelson Cabrera, Blandi (Bolívar); Ortigoza, Cetto, Torrico (San Lorenzo)

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