terça-feira, 29 de julho de 2014

Coluna: Muito obrigado, Ronaldinho!

Ronaldinho Gaúcho e o Galo encerram um casamento de dois anos, com mais alegrias do que tristezas

De Belo Horizonte.
Por Vinícius Silveira.

29/07/2014 - Um casamento tão arrebatador como aqueles mais famosos pares do cinema de Hollywood. Para não sair fora de terras brasileiras, um matrimônio tão bem sucedido semelhante aos que são criados em um folhetim das oito horas da noite (que na verdade começa às nove). Foi surpreendente, emocionante, apaixonante, carismático, intenso e duradouro. Por mais que tenha durado dois anos e 54 dias, o amor que reúne o craque, o clube e sua torcida serão eternos.

 Ronaldinho encontrou no Atlético uma casa, e na torcida, uma família.
(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Na tarde dessa segunda-feira, 28 de julho de 2014, colocou-se um ponto final na passagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético. Em reunião entre o presidente do Galo, Alexandre Kalil, o diretor de futebol, Eduardo Maluf, o empresário e irmão de R10, Assis, e o próprio Ronaldinho Gaúcho, foi selado de forma amigável o fim da estadia do jogador na Cidade do Galo. Uma história que começou de maneira surpreendente.

O susto pelo anúncio

No início da tarde de 04 de junho de 2012, as rádios, as TVs e a internet anunciavam a chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Atlético-MG. O susto pelo anúncio da chegada do meia pegou a todos de supetão e ainda tinham torcedores que não acreditavam na notícia que fora amplamente divulgada. O atleta que saíra de mal do seu clube anterior, o Flamengo, alegando atrasos de salário e outros benefícios, aterrissava em Belo Horizonte de surpresa.

 O dia pegou a todos de surpresa. 04/06/2012, Ronaldinho era do Galo.
(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

A desconfiança era geral, mas não havia negligência de qualquer parte existente. Da torcida atleticana ou imprensa especializada, a grande maioria confiava no talento mais do que destacado de Ronaldinho Gaúcho. Aos poucos, o amor foi tomando conta da torcida, contagiando o time e o jogador. Era uma via de mão dupla, uma cumplicidade que ambos, atleticanos e R10, não viviam há muito tempo e os dois lados careciam deste afeto e carinho incondicionais.

Para o Ronaldinho, o ponto máximo foi a homenagem que a torcida fez a sua mãe no jogo diante do Grêmio, no Independência. Dona Miguelina, que encontrava-se doente, e o jogador, abalado pelo estado de saúde dela, entrou em campo diante do Figueirense e respondeu com uma atuação de gala: três gols na vitória por 6 a 0 contra os catarinenses, com direito a choro e emoção a flor da pele.

 O apoio incondicional da torcida e a resposta em campo: Três gols e uma emoção incontida.
(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

2013: um ano para se lembrar

O Atlético não conseguira vencer o Campeonato Brasileiro em 2012, mas no ano seguinte tinha mais. A Taça Libertadores da América era o grande alvo do clube e da torcida. Ronaldinho Gaúcho comandou a máquina alvinegra que triturou um a um os seus adversários, com direito a fortes emoções diante de Tijuana (MEX), Newell's Old Boys (ARG) e Olímpia (PAR). O título inédito veio para acentuar ainda mais o amor e a cumplicidade entre R10 e torcida alvinegra.

  Ronaldinho e o amigo Jô. Parceria que rendeu a conquista da Taça Libertadores da América.
(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Durante a temporada, os gols e as assistências aconteciam até que Ronaldinho se lesionou e ficou quatro meses parado, entretanto, o torcedor seguia comemorando à espera do Mundial de Clubes no Marrocos. O título intercontinental não veio, mas a ciência de que Ronaldinho e aquele time levaram o Atlético a um patamar que existia somente nos sonhos atleticanos mais remotos era nítido. De certa forma, aquele foi o ponto alto daquela equipe e isto ficará presente na história alvinegra.

Os últimos meses e o fim do casamento

Em 2014, Ronaldinho não foi o mesmo. Sem as mesmas jogadas que encantavam o torcedor, as atuações de R10 passavam de forma imperceptível. Ainda assim, quem disse que o amor da torcida pelo jogador ficara abalado? Não mesmo. Amor de verdade pode até entrar em crise, mas nunca acaba e sempre se renova. A cada jogo, uma nova esperança que aquele Ronaldinho Gaúcho pudesse fazer mágicas em campo, como tirar da cartola um chapéu, um drible entre as pernas do marcador ou aquela bola no ângulo que só ele sabia colocar.

 Campeão da Recopa Sul-Americana. Seu último ato com a camisa do Atlético-MG.
(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Em seu último ato como jogador do Atlético-MG, o meia deixou para torcida mais um título internacional: a Recopa Sul-Americana, vencendo o rival Lanús (ARG). Mesmo sem ter marcado gols, aquela partida estava anotada para ser a última de Ronaldinho Gaúcho com a camisa do Galo. Quem o viu se despedindo dos jogadores na saída para mais uma alteração em que ele foi sacado do time, deixou a entender que o ciclo estava acabando.

Dois caminhos de sucesso

Não é só a torcida do Atlético-MG que agradece a Ronaldinho. O próprio R10 deve muito ao clube alvinegro. Foi o Galo quem o trouxe desacreditado por muitos que diziam que o futebol do craque estava chegando ao fim. O presidente Alexandre Kalil e o técnico Cuca confiaram no jogador e ele respondeu à altura.

 Ronaldinho não joga mais no Atlético, mas o Galo sempre estará no R10.
(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Ronaldinho Gaúcho voltou a encantar e escrever uma página de sucesso em sua carreira que estava apagada desde os tempos de Barcelona (ESP). O próprio jogador tem ciência disso, como também tem ideia, longe de qualquer exatidão, do amor que a torcida atleticana tem por ele. No Galo, ele entrou pela porta da frente e está saindo como um dos maiores jogadores da história do clube, apagando qualquer página mal escrita em sua história de sucesso no futebol.

Por onde Ronaldinho vai caminhar? Ninguém sabe. Muito se especula, mas pouco se tem certeza de seu caminho. O mais certo é cada jogada e cada um dos 28 gols e 32 assistências de Ronaldinho usando a camisa do Atlético ficarão imortalizados na mente de cada torcedor atleticano.

Vai com Deus, Ronaldinho!

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