terça-feira, 22 de julho de 2014

Coluna: Cada vez mais raros

Em meio a contratos publicitários e salários astronômicos, jogadores de futebol deixam a essência do esporte de lado e o tratam, apenas, como fonte de renda

De Belo Horizonte.
Por Arthur Möller.

22/07/2014 - Todo mundo está cansado de saber que a fase romântica do futebol acabou e que o esporte mais fascinante do mundo - pelo menos para mim - transformou-se em negócio. Jogadores milionários, dirigentes corruptos, interferências de empresários, emissora de TV determinando datas e horários, e por aí vai.

Entretanto, continuo gostando e torcendo. Por enquanto, não deixei de acreditar no futebol, e espero não chegar a este ponto. Sou daqueles que defendem os jogadores comprometidos e voluntariosos - por mais pernas-de-pau que sejam -, pelo "simples fato" de honrarem a camisa que vestem e respeitarem seus torcedores. O problema é que, infelizmente, esse tipo de atleta está em extinção.

A diretoria do Atlético, entre tantas contratações equivocadas, conseguiu pincelar um garoto deste naipe. Vindo da Ponte Preta, o alagoano Luan Madson Gedeão de Paiva - o Luan doidão -, em curto espaço de tempo, caiu nas graças dos atleticanos. Na Cidade do Galo desde janeiro de 2013, o menino trabalha sério, não se mete em confusões extracampo e, dentro das quatro linhas, corre, arma, desarma, chuta, cabeceia...

Dos momentos marcantes vividos por mim neste início de carreira no jornalismo esportivo, destaco um bate-papo que tive com o Luan, no início deste ano. Sem medir as palavras, o jogador revelou acontecimentos do dia a dia do clube. Contou que, constantemente, é convidado pelos colegas a participar de festinhas nas quais, segundo ele, bebida e mulher não faltam.

(Foto: Divulgação/Clube Atlético Mineiro)
Luan, em seu retorno aos gramados após grave lesão no joelho direito.

Mas, durante toda a conversa, o que mais me chamou atenção foi o que ele me disse na sequência. Ao invés de ir aos eventos e se esbaldar com os demais, Luan inventa uma desculpa esfarrapada e fica em casa, ao lado da família. Além de respeitar a esposa, o atleta demonstra - com atitudes verdadeiras - amor e gratidão pela instituição que lhe abriu as portas e lhe deu projeção.

Ele é o típico jogador-torcedor. Aquele que, quando está lesionado, faz questão de acompanhar todas as partidas de sua equipe. Aquele que, mesmo distante, sofre e vibra com a mesma intensidade dos que estão atuando. E que, quando recebe uma proposta irrecusável, sai pela porta da frente e deixa saudade.

Que novos profissionais como este surjam, e que, aos poucos, a essência deste esporte seja resgatada. Ao invés de ser tratado como mera fonte de renda, o futebol deve ser movido pela devoção e pelo amor à camisa.

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