quarta-feira, 11 de junho de 2014

B.A. na Copa #30: Do favoritismo ao fracasso

Não é só de vitórias e conquistas que é escrita a história do Brasil em Copas. Algumas derrotas foram bem traumáticas

De Belo Horizonte.

Por Manuel Carvalho.

11/06/2014 – Antes do início de toda Copa do Mundo, algumas seleções são apontadas como grandes favoritas ao título. Único país a disputar todos os Mundiais, o Brasil sempre entra como candidato a levantar a taça, mas nem sempre é o que acontece. Nesta matéria de número 30 da série “B.A. na Copa”, apontamos algumas fortes seleções brasileiras que não foram campeãs.


1950

Devastada pela Segunda Guerra Mundial, a Alemanha desistiu da candidatura por não ter condições de sediar a competição. Posteriormente, a FIFA acabou proibindo os alemães de jogarem a Copa. O Brasil manteve-se como único pretendente e realizou o torneio pela primeira vez. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos – antiga CBF) decidiu construir o maior estádio de futebol do mundo, o Maracanã.

A seleção brasileira nunca havia entrado tão favorita para ganhar um Mundial. Na primeira fase, os brasileiros venceram o México por 4 a 0, a Iugoslávia por 2 a 0, e empataram com a Suíça por 2 a 2. No quadrangular final, o Brasil goleou a Suécia por 7 a 1 e a Espanha por 6 a 1, chegando à última partida contra o Uruguai precisando apenas de um empate.

O Maracanã estava lotado. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas estavam no estádio. A certeza da vitória era tão grande, que jornais da época davam como certo o título. O primeiro tempo terminou no 0 a 0. No início do segundo, Friaça abriu o placar para o Brasil. Após o gol, a certeza do título aumentou consideravelmente, e uma grande festa já era feita nas arquibancadas. Mas tudo começou a mudar aos 21 minutos, quando Schiaffino empatou a partida. Animado com o gol, o Uruguai partiu com tudo pra cima e conseguiu o que parecia impossível. Aos 34, Ghiggia deixou Bigode pra trás e chutou a bola entre o goleiro Barbosa e a trave, e ela morreu no fundo da rede.

O uruguaio Ghiggia marca o gol da vitória uruguaia. 
(Foto: Reprodução)

O gol uruguaio conteve a euforia da torcida brasileira, que ficou apreensiva até o apito final da partida. O Uruguai venceu por 2 a 1 e um silêncio ensurdecedor tomou conta do estádio. O episódio entrou para história como “Maracanazo”.

Time base: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo Alvim e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Técnico: Flávio Costa.

1966

O Brasil havia conquistado as duas últimas Copas do Mundo (1958 e 1962). Gilmar, Bellini, Djalma Santos, Pelé e Garrincha, que já eram bicampeões, faziam parte do grupo. Porém, a preparação mostrou que algo estava errado. O preparador físico Paulo Amaral foi trocado por Rudolf Hermanny, preparador de judô, que ainda não havia trabalhado no futebol. O técnico Vicente Feola havia convocado mais de 40 jogadores, que eram divididos em quatro equipes nos treinamentos. Às vésperas do Mundial, finalmente foram definidos os 22 que disputariam a competição.

A estreia animou a torcida brasileira, já que o Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0. Mas a alegria durou pouco e, nos dois jogos restantes, derrotas por 3 a 1 para Hungria e Portugal. Pelé havia sido vítima de uma entrada violenta na partida de estreia, o que acabou o tirando do segundo jogo. De volta para a terceira partida, Pelé novamente voltou a ser caçado em campo e desapareceu diante do brilho do português Eusébio. Acabava ali a participação brasileira na Copa.

Time base: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Denílson e Lima; Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho. Técnico: Vicente Feola.

Pelé e Garrincha eram as estrelas brasileiras. 
(Foto: Reprodução)

1982

Com um elenco repleto de craques, a equipe dirigida por Telê Santana era mais uma vez tida como grande favorita à conquista do título. Na primeira fase, o Brasil venceu a União Soviética por 2 a 1, a Escócia por 4 a 1 e a Nova Zelândia por 4 a 0. O início foi arrasador e aumentou a confiança da talentosa equipe. Jogando um futebol ofensivo e criativo, os jogadores já empolgavam a imprensa de todo o mundo.

Na segunda fase, os classificados foram divididos em quatro grupos de três seleções, e o primeiro colocado de cada chave avançava para as semifinais. A seleção brasileira caiu em um grupo com Argentina e Itália. Na primeira partida, uma vitória arrasadora sobre os argentinos por 3 a 1. Depois, os italianos venceram a Argentina por 2 a 1. Desta forma, restava ao Brasil apenas um empate diante dos italianos para garantir a vaga para a próxima fase.

A vitória brasileira era dada como certa, já que os italianos haviam feito uma péssima campanha na primeira fase e haviam conquistado a primeira vitória apenas contra os argentinos. Iniciada a partida, o futebol arte encontrou dificuldades para vencer a forte marcação italiana. Logo aos cinco minutos, o atacante Paolo Rossi abriu o placar para a Itália. Sete minutos depois, Sócrates empatou. Aos 25, em falha de Toninho Cerezo, Rossi colocou os italianos mais uma vez na frente. Mas a seleção brasileira não se dava por vencida, e chegou ao empate com Falcão, aos 68 minutos. Infelizmente, aos 74, em mais uma bobeada da defesa, Rossi fez o terceiro dele e da seleção italiana na partida.

Paolo Rossi marca um dos gols da Itália. 
(Foto: Ricardo Chaves/Divulgação Revista Placar)

Este gol foi um balde de água fria para a seleção brasileira, que não teve mais forças para reagir. A derrota por 3 a 2 selava a desclassificação do Brasil. O futebol arte foi aniquilado, na partida que ficou conhecida como “Tragédia do Sarriá”.

Time base: Waldir Peres; Júnior, Luisinho, Oscar e Leandro; Toninho Cerezo, Falcão, Éder Aleixo, Sócrates e Zico; Serginho Chulapa. Técnico: Telê Santana.

1998

Atual campeão do torneio, o Brasil chegava mais uma vez como maior favorito ao título, ajudado também pela presença de Ronaldo, eleito o melhor jogador do mundo nos dois anos anteriores. Antes da Copa começar, uma grande polêmica tomou conta da lista dos convocados: o atacante Romário tinha uma leve lesão na panturrilha, mas se recuperaria a tempo de disputar o torneio. Poucos dias depois, a comissão técnica decidiu cortar o baixinho da delegação.

Sem o herói do tetra, uma enorme pressão tomou conta da seleção brasileira. A estreia não foi das melhores, mas o Brasil conseguiu vencer a Escócia por 2 a 1. No segundo jogo, a tarefa foi mais fácil. Uma vitória sobre o Marrocos por 3 a 0 garantiu os brasileiros na fase seguinte. Na terceira partida, o primeiro susto veio diante de uma derrota para a Noruega por 2 a 1. Nas oitavas, goleada tranquila sobre o Chile por 4 a 1. Nas quartas, o Brasil suou para vencer a Dinamarca por 3 a 2. Na semifinal, a Holanda novamente entrava no caminho da seleção brasileira. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, vitória do Brasil nos pênaltis.

Observado por Carlos Germano, Ronaldo lamenta a derrota. 
(Foto: Reprodução)

O Brasil mais uma vez estava em uma decisão de Copa do Mundo. A campanha, que começou com sustos, melhorou no mata-mata. O adversário seria a França, dona da casa. No dia da decisão, um estranho acontecimento deixou toda a delegação brasileira preocupada. Ronaldo havia sofrido uma convulsão horas antes da partida. A verdade jamais foi esclarecida totalmente. O episódio abalou os jogadores, mas a comissão médica deu aval para o atacante ser escalado. Em campo, porém, o camisa 9 pouco apareceu e a seleção brasileira acabou goleada por 3 a 0.

Time base: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Leonardo e Rivaldo; Bebeto e Ronaldo. Técnico: Zagallo.

2006

Uma enorme festa tomou conta da preparação da seleção brasileira em Weggis, na Suíça. Durante esse período, avassaladoras goleadas em partidas amistosas: 13 a 1 contra o time Sub-20 do Fluminense, 8 a 0 contra o Lucerna, da Suíça, e 4 a 0 sobre a Nova Zelândia. O “quadrado mágico” composto por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo previa um verdadeiro show dentro dos campos. Desta vez, era Ronaldinho quem havia sido eleito o melhor do mundo nos dois anos anteriores.

Na primeira fase, o Brasil manteve seu favoritismo ao confirmar 100% de aproveitamento. Venceu a Croácia por 1 a 0, a Austrália por 2 a 0 e o Japão por 4 a 1. Nas oitavas, fácil vitória sobre Gana por 3 a 0. Neste jogo, Ronaldo se tornou o maior artilheiro da história das Copas. Nas quartas, teríamos mais uma vez a França em nosso caminho. Em jogo com grande atuação de Zidane, os franceses venceram por 1 a 0. A partida marcou uma despedida melancólica da seleção brasileira e desencadeou numa tempestade de críticas à preparação dos jogadores.

Jogadores brasileiros não acreditavam na derrota. 
(Foto: Reprodução)

Time base: Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Émerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho; Adriano e Ronaldo. Técnico: Parreira.

Logo mais, aqui no Boleiros da Arquibancada, a série ''B.A. na Copa'' segue com o tema “O caminho até o hexa”, falando sobre os adversários brasileiros da primeira fase e os prováveis cruzamentos até a decisão.

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