segunda-feira, 9 de junho de 2014

B.A. na Copa #29: Camisa 10 - Os donos da criação

De Jair a Neymar, os camisas 10 foram e continuam sendo a esperança de criação e títulos da seleção canarinho

De Nova Lima (MG).
Por Rodolpho Victor.

09/06/2014 - No ano de 1929, o Chelsea-ING surpreendeu todos os amantes do futebol no Brasil. O clube realizou amistosos em São Paulo e no Rio de Janeiro utilizando números - do 1 com o goleiro até 11 com seus atacantes - em suas camisas. Mesmo com tal inovação no país, só em 1947, depois de um pedido da FPF (Federação Paulista de Futebol), o Nacional de Seleções Estaduais contou com número na camisa dos times participantes.

Quando se trata de Copa do Mundo, a obrigatoriedade de numeração nas camisas ocorreu na Copa do Mundo de 1950, aqui no Brasil. Fato é que bastaram os clubes aderirem a essa “moda” para o misticismo tomar conta. O camisa 5 tem que sair bem pro jogo, o camisa 7 tem que ser um bom velocista, o camisa 1 não pode deixar passar nada, e o camisa 9 precisa bater o camisa 1. Mas entre o goleiro e a meta das seleções adversárias, existe o cérebro do time, o cara que busca a bola e a entrega redondinha na frente. Não interessa se é com Jair, Pelé, Rivellino, Zico, Rivaldo, Ronaldinho ou até o estreante Neymar. Quem a vestir deve ser capaz de saber o peso e a responsabilidade que carrega.


JAIR – 1950

Jair Rosa nasceu em Quatis, no Rio de Janeiro. Passou pelos maiores clubes do Brasil. Vasco, Flamengo, Santos, São Paulo e Palmeiras estão no seu currículo. Teve seu auge nas décadas de 1940 e 1950. Se destaca por ser o primeiro camisa 10 da seleção brasileira em Copas do Mundo. Atuou em 41 partidas pela amarelinha, acumulando 25 vitórias, 11 derrotas e cinco empates, marcando 24 gols. No Campeonato Sul-Americano de 1949, Jajá – como era conhecido – marcou nove gols, um recorde que perdura até hoje.

Quando jogava pelo Santos, em 1959, Jair deu aulas de comportamento, posicionamento e de chute a gol para um menino que surgia na Vila, um tal de Pelé. Quem diria que, anos depois, aquele menino daria o título que era o sonho de Jair Rosa. Infelizmente, ficamos sem o título de 1950, depois de perder para o Uruguai por 2 a 1 no fatídico Maracanaço.

PINGA – 1954

José Lázaro Robles nasceu na Mooca, em São Paulo. Foi ídolo na Portuguesa (1944-1952), onde é o maior marcador de todos os tempos com 190 gols, e no Vasco (1953-1961), onde é o atual quarto maior goleador, com 250 gols. Teve sua primeira convocação para a seleção em 1950, para a disputa da Taça Oswaldo Cruz, na seleção que era considerada reserva. Dos cinco gols brasileiros na competição, Pinga marcou três, feito que foi crucial na sua convocação para os principais jogadores do Brasil na Copa de 1954. Foi para o Mundial na Suíça, marcou dois gols contra o México na estreia e jogou o segundo jogo pela seleção contra a Iugoslávia, sendo substituído por Humberto no jogo seguinte, na eliminação do Brasil para a Hungria.

PELÉ – 1958 A 1970

Foto: Reprodução

O Rei merecia um texto à parte. Pelé é o maior esportista do século XX e se você perguntar a qualquer apaixonado por futebol, ainda não foi superado por ninguém. Os números dizem isso. Foi o jogador que por mais vezes usou a 10 pela seleção brasileira. Quatro participações seguidas, Suécia (1958), Chile (1962), Inglaterra (1966) e México (1970), e um tricampeonato. Teve apenas dois clubes em toda carreira. Pelo Santos, onde é o maior ídolo, tem 1116 jogos e 1091 gols.

Na Copa de 1958, com 17 anos, Pelé marcou dois gols e ajudou o Brasil a conquistar seu primeiro título Mundial, vencendo a Suécia por 5 a 2 na final. Além dos gols na decisão, marcou também contra o País de Gales nas quartas e na França pela semi. Recebeu também a bola de prata e chuteira de prata. Na Copa de 1962, Pelé foi importante na vitória contra o México, mas no segundo jogo contra a Tchecoslováquia, sofreu uma contusão e deu adeus à competição. Foi substituído em grande nível por Amarildo, que, junto com Garrincha, levou o Brasil ao bi Mundial, vencendo a Tchecoslováquia por 3 a 1.

Na Copa do Mundo de 1966, o Brasil parou na primeira fase. Em 1970, na Copa do México, mais uma vez Pelé e seus companheiros deram um Mundial à seleção. Contra a Tchecoslováquia, fez um gol na vitória por 4 a 1. Contra a Romênia, marcou dois na vitória por 3 a 2. Depois da primeira fase, Pelé voltou a marcar na final, quando o Brasil venceu a Itália por 4 a 1.

RIVELLINO – 1974 E 1978

Roberto Rivellino nasceu no primeiro dia do ano de 1946, na cidade de São Paulo. E foi na terra da garoa, jogando pelo Corinthians – por mais de dez anos de sua vida –, que o camisa 10 de duas Copas do Mundo fazia chover. Durante passagem pelo Parque São Jorge, marcou 144 gols em 474 partidas. Depois de ver Pelé com a 10 e participar do elenco tricampeão do mundo, Bigode viu por duas vezes o sonho do tetra ficar no meio do caminho.

Na Copa do Mundo de 1974, da Alemanha Ocidental, o Garoto do Parque marcou três gols e viu o Brasil ser eliminado na segunda fase e perder para a Polônia na decisão do terceiro lugar. Na Copa de 1978 ele foi convocado, mas uma contusão o deixou de fora da conquista do “bronze”.

ZICO – 1982 E 1986

Zico é considerado por muitos o “Pelé branco”. Se for perguntando para qualquer brasileiro apaixonado por futebol que acompanhou a década de 1980, com certeza o Galinho de Quintino estará entre os maiores jogadores de sua época. Participou de três Copas, mas nunca teve a chance de vencer uma. Em 1982, na Espanha, saiu na segunda fase depois de vencer a Argentina e perder para a Itália. Na última, fez um ano excepcional, com Rossi no comando. Em 1986, o Brasil parou para outro carrasco: a França, depois de uma emocionante disputa de pênaltis.

SILAS – 1990

Silas passou por grande clubes do mundo, como Sporting-POR, Sampdoria-ITA, Internacional, Vasco, San Lorenzo e Atlético-PR. Mas no São Paulo participou do elenco conhecido como os "Menudos do Morumbi". Entre os maiores títulos, um Brasileiro, Copa do Brasil, Campeonato Argentino e Copa América. Na Copa do Mundo de 1990, Silas foi o nosso camisa 10, mas não se firmou como titular.

RAÍ – 1994

Foto: Reprodução

Além de atrair mulheres para o futebol, Raí também foi o camisa 10 que trouxe o tetra para o Brasil. Após 24 anos, o grito de tetracampeão saiu das gargantas dos brasileiros. Como não se lembrar do Galvão Bueno ao lado do Rei Pelé numa das cenas mais marcantes do século? Na primeira fase em 1994, foram duas vitórias (Rússia e Camarões) e um empate (Suécia). Nas oitavas, o Brasil tirou os anfitriões, vencendo os norte-americanos por 1 a 0. Nas quartas, foi a vez da Holanda, vencendo por 3 a 2. Na semi, a Suécia, que havia segurado Romário na primeira etapa, não conseguiu repetir o feito e perdeu por 1 a 0 com gol do Baixinho. A final história e libertadora foi contra a Itália, e com certeza, é o momento que brasileiro nenhum esquece de onde estava quando Baggio isolou aquele penal.

RIVALDO – 1998 E 2002

Foto: AFP/Getty Images

Será que depois de uma Copa do Mundo o Brasil continuaria com um jejum de anos e anos sem outra Copa? Mesmo jogando com outros craques? Rivaldo, nosso 10 de 1998 e 2002, ídolo no Palmeiras e logo depois no Barcelona, se fazia essa pergunta. Na França, chegou na final e bateu de frente com a dona da casa, mas viu Zidane, outro senhor camisa 10, acabar com o sonho brasileiro do hexa. Para Rivaldo, restou estrelar no meio-campo da seleção da Copa de 1998.

O ano de 2002 inovou com a sede da competição. Japão e Coreia do Sul dividiram as partida e serviram de tapete para os maiores ídolos do futebol nacional. Na primeira fase, Rivaldo marcou gol em todos os jogos. Marcou também nas oitavas contra a Bélgica (2 a 0) e nas quartas de final contra a Inglaterra (2 a 1). Na semi, viu Ronaldo fazer o gol da vitória contra a Turquia e logo depois marcar duas vezes contra a Alemanha, fazendo Cafu levantar a tão sonhada taça, oito anos depois.

RONALDINHO GAÚCHO – 2006

Depois de vencer em 2004 e 2005 o prêmio de Melhor Jogador do Mundo, foi a vez de Ronaldinho assumir a responsabilidade do hexa brasileiro. Todas as esperanças foram depositadas no Gaúcho. Com 26 anos, apresentou mais uma geração especial do Barcelona para o mundo e não tinha mais nada a provar pra ninguém.

Hoje no Atlético, R10 viu a seleção vencer de forma simples seleções de pouquíssima expressão na primeira fase. Goleou Gana nas oitavas, mas novamente parou na França, com uma exibição espetacular de Zidane e gol de Henry, naquele lance em que culpam o Roberto Carlos até hoje.

KAKÁ – 2010

Kaká saiu contestado pela torcida do São Paulo para se tornar ídolo na Europa. No Milan e no Real Madrid ganhou os principais títulos da sua carreira. Em 2007, foi escolhido o melhor do mundo, desbancando Messi e Cristiano Ronaldo. Em 2010, não deu outra. Pegou a camisa 10 e, diante da Holanda, viu Robinho marcar e Sneijder virar para a Holanda, que eliminou o Brasil.

NEYMAR – 2014

Foto: Wander Roberto/Vipcomm

Nunca foi um jogador que sempre vestiu a 10. Neymar aos poucos foi virando ídolo do Santos, venceu uma Libertadores e foi para o Barcelona, numa transferência milionária que ainda gera dúvidas sobre o seu real valor até hoje. No ano passado foi um dos principais jogadores que venceram a Copa das Confederações, e em 2014, com a camisa 10, terá a chance de escrever seu nome na história, dando um título inédito em casa para o Brasil, esperado ansiosamente desde 1950. Vai com tudo, Neymar Júnior.

A série especial volta amanhã para falar sobre as seleções brasileiras que não deram certo.

Clique e confira mais matérias da série "B.A. na Copa".

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