quinta-feira, 5 de junho de 2014

B.A. na Copa #25: Chega de quase

A Alemanha vem chegando perto ao longo dos últimos anos, mas será que a equipe de 2014 é forte o suficiente para quebrar o tabu?

De Aracaju.
Por Henrique Ferrera.

04/06/2014 - A Alemanha é indiscutivelmente uma das maiores seleções no que se trata de futebol. São três títulos, quatro vices e mais cinco semifinais. Apesar disso, o jejum em Copas do Mundo já dura 24 anos. Porém, já faz um certo tempo que o futebol alemão se reinventou, fazendo um bom trabalho desde as categorias de base, e conta com uma geração jovem, talentosa e amadurecida pelos fracassos recentes. Será que chegou a vez da Alemanha?

Histórico

A primeira participação alemã foi em 1934, ainda em mata-matas diretos. Os alemães eliminaram Bélgica e Suécia, caindo na semi para a Tchecoslováquia e ficando com o bronze. Na copa seguinte, decepção: queda logo na primeira fase, para a Suíça, nos pênaltis.

Fritz Walter com a taça na mão após final contra a Hungria.
(Foto: AP)
Os alemães voltariam a disputar apenas em 1954, e acabaram levando seu primeiro título em solo suíço. Depois de passar pela primeira fase graças à um jogo extra contra a Turquia, a Alemanha passou pela Iugoslávia e pela Áustria até chegar na final contra a favorita Hungria, que a havia vencido por 8 a 3 na fase de grupos. No final das contas, vitória heróica por 3 a 2 de virada, no que ficou conhecido como "O Milagre de Berna".

Após cair nas semis em 58 e nas quartas em 62, a Alemanha voltou a aparecer em uma final, na Copa de 1966. Porém, caiu para os ingleses, anfitriões, na prorrogação, em um jogo polêmico. Em 1970, caiu nas semifinais novamente, mas em 74, jogando dentro de casa, ela não deixou escapar. Com uma geração puxada por Maier, Breitner, Müller, Overath e Beckenbauer, os alemães mais uma vez deixaram um favorito com o vice. O carrossel holandês não foi capaz de parar os alemães, que foram bicampeões, novamente de virada.

Alemães celebraram revanche sobre Argentina em 90.
(Foto: Imago)

Em 78, decepção e queda na segunda fase. Em seguida, dois vices consecutivos, muito doloridos para a Alemanha - em 82, queda para a Itália de Paolo Rossi; e 86, para a Argentina de Maradona. Os alemães fizeram uma promessa: a próxima seria deles. Cumprida com louvor em 90, onde a geração de Illgner, Brëhme, Matthäus, Völler e Klinsmann se vingou sobre os argentinos, vencendo a final por 1 a 0 em Roma, com um gol de pênalti já aos 40 da segunda etapa.

Após duas quedas nas quartas (94 e 98), a Alemanha voltou a figurar entre os grandes em 2002. Na copa da Coréia/Japão, mesmo com uma seleção considerada longe dos padrões alemães, Kahn e Ballack lideraram a equipe até a final, na base do 1 a 0. Porém, não foi capaz de deter o penta brasileiro e ficou mais uma vez com o vice. Em 2006, jogou novamente em casa, mas caiu nas semifinais em uma épica batalha contra a Itália, assim como em 2010, perdendo para a Espanha novamente às portas da final.

As eliminatórias

O sorteio deixou a Alemanha no grupo C das eliminatórias europeias, junto com Suécia, Áustria, Irlanda, Cazaquistão e Ilhas Faroe. A Alemanha acabou em primeiro com 28 pontos, oito a mais que a segunda colocada Suécia, conseguindo o passaporte direto para o Brasil. Em dez jogos, a Alemanha atropelou, vencendo nove deles, e empatando o outro.

Suécia deu trabalho à defesa alemã nas eliminatórias.
(Foto: AFP)

Os jogos contra os suecos foram o ponto alto das eliminatórias. A Suécia fez épicas batalhas e mostrou uma fragilidade na defesa alemã que as outras equipes não haviam conseguido mostrar. Na Alemanha, um empate por 4 a 4 em uma épica reação sueca; e fora de casa, uma vitória por 5 a 3, muito graças aos inúmeros erros defensivos dos suecos.

A equipe

Opções não faltam para o técnico Joachim Löw, menos no ataque. A temporada ruim de Mario Gomez, a inexperiência de Kevin Völland, e a falta de simpatia por Stefan Kiessling deixaram Miroslav Klose como única opção de atacante fixo. Se falta gente na área, sobra no meio-campo, com inúmeras opções para a montagem do elenco.

Alemanha aposta no talento para quebrar tabu.
(Foto: Reuters)

Outro problema são as laterais. Com a passagem de Phillip Lahm para a volância, a Alemanha vem para o Brasil com apenas um lateral para cada lado: Kevin Grosskreutz assume a direita, enquanto a surpresa Erik Durm barrou seu concorrente de posição no Dortmund, Marcel Schmelzer, que ficou fora da lista dos 23.

No meio-campo a briga é boa: são oito nomes para três vagas, com vantagem para Thomas Müller, Marco Reus e Mesut Özil, em detrimento de Podolski, Draxler, Götze, Schürrle e Kroos. Lahm e Schweinsteiger fazem uma excelente dupla de volantes, e a temporada inconstante de Hummels pode dar brecha para Boateng e Mertesacker se firmarem.

A equipe de Joachim Low deve estrear com Neuer, Grosskreutz (Lahm), Boateng, Mertesacker (Hummels) e Durm; Lahm (Khedira) e Schweinsteiger; Müller (Götze), Reus e Özil; Klose.

Tabela de jogos:
16/06, às 13h: Alemanha x Portugal, na Fonte Nova, em Salvador (BA)
21/06, às 16h: Alemanha x Gana, no Castelão, em Fortaleza (CE)
26/06, às 13h: Estados Unidos x Alemanha, na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE)

A série especial da Copa do Mundo segue amanhã, falando sobre a Argentina de Lionel Messi. Fique ligado.

Confira todas as matérias da série "B.A. na Copa".

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