terça-feira, 3 de junho de 2014

B.A. na Copa #23: Holanda, sempre favorita, nunca campeã

Historicamente, a seleção holandesa é sempre temida por todos, mas é talvez a única entre as "grandes" que nunca conquistou uma Copa do Mundo

De Belo Horizonte.

Por Manuel Carvalho.

03/06/2014 – Grandes esquadrões já foram montados com nomes como Seedorf, Bergkamp, Davids, Van der Sar, Rijkaard, Cruijff, Van Basten, Overmars, Kluivert, Rensenbrink, Neeskens, Koeman, Gullit, Krol, Nistelrooy, entre outros. Notáveis campanhas foram feitas, o que gerou alcunhas marcantes, como “Carrossel Holandês” e “Laranja Mecânica”. Nessa série “B.A. na Copa”, voltaremos na história das Copas para tentar responder uma difícil questão: por que as seleções holandesas nunca deram certo?


Primeiras Copas

As primeiras participações foram em 1934 e 1938, mas foram desclassificadas logo na primeira fase, que era disputada em jogo único de eliminatória. Em 34, na Itália, a seleção holandesa foi eliminada pela Suíça por 3 a 2, e sua classificação final foi o nono lugar, entre 16 seleções participantes. Em 38, na França, foi eliminada pela Tchecoslováquia por 3 a 0, mas desta vez terminou em 15º, à frente apenas da Indonésia.

1974

Fora de cinco Copas do Mundo (de 1950 a 1970), os holandeses ficaram desaparecidos do mundo do futebol, mas voltaram com tudo na Copa de 1974, na Alemanha Ocidental. Foi quando o sistema de jogo do “Futebol Total” entrou em ação, sob o comando do técnico Rinus Michels. Consistia em um método em que nenhum jogador tinha posição fixa, sendo que qualquer um podia desempenhar qualquer função. Para um bom funcionamento, os atletas deveriam estar atentos taticamente e ter um excelente preparo físico. Nasceram, então, os apelidos “Carrossel Holandês” e “Laranja Mecânica”. O astro desta década, e considerado por muitos o maior jogador holandês de todos os tempos, era o habilidoso meio-campista Johann Cruijff.

A campanha foi histórica: sete jogos, cinco vitórias, um empate e uma derrota. Na primeira fase, derrotou o Uruguai por 2 a 0, a Bulgária por 4 a 1, e empatou com a Suécia por 0 a 0. Na segunda fase, atropelou quem vinha pela frente: venceu Argentina por 4 a 0, Alemanha Oriental por 2 a 0 e Brasil por 2 a 0. Na grande final, enfrentou as donas da casa, a Alemanha Ocidental. As anfitriãs também vinham com uma grande campanha, e uma disputada decisão era esperada por todos os amantes de futebol do planeta. A Holanda saiu na frente, em cobrança de pênalti de Neeskens, mas tomou a virada com gols de Breitner e Muller. Apesar de não ter sido a grande campeã, encantou o mundo com o futebol apresentado.

O revolucionário “Futebol Total”, com todos os jogadores desempenhando todas as funções.
(Foto: Reprodução)

1978

Quatro anos depois, mais precisamente em 1978, na Argentina, mais uma final foi perdida, mas desta vez sob o comando de Ernst Happel. Problemas particulares tiraram Cruijff da Copa, motivos que variam entre protesto à ditadura militar, medo de ser sequestrado, brigas com dirigentes e problemas conjugais. Na primeira fase, a Holanda venceu o Irã por 3 a 0, empatou com o Peru por 0 a 0 e perdeu para a Escócia por 3 a 2. Na segunda fase, venceu a Áustria por 5 a 1, a Itália por 2 a 1, e empatou com a Alemanha Ocidental por 2 a 2. A final novamente seria contra as donas da casa, agora a Argentina. Depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal, a Holanda tomou dois gols na prorrogação, e foi derrotada por 3 a 1.

Os holandeses caíram diante da Argentina.
(Foto: Reprodução)

1990

O bom futebol havia retornado dois anos antes, quando os holandeses conquistaram o maior título de sua história, a Eurocopa de 1988. A conquista não foi o suficiente para fazer uma grande campanha na Copa de 1990, na Itália. A Holanda era uma das favoritas ao título, mas apresentando um futebol pouco inspirado, terminou em 16º lugar, sendo eliminada pela Alemanha Ocidental nas oitavas por 2 a 1. Na fase de grupos, havia empatado com Egito por 1 a 1, Inglaterra por 0 a 0 e Irlanda por 1 a 1.

Ajax e PSV formavam a base da seleção.
(Foto: Reprodução)

1994

Na Copa dos Estados Unidos, mais uma vez a Holanda era apontada como favorita. Na primeira fase, venceu a Arábia Saudita e o Marrocos por 2 a 1, e perdeu para a Bélgica por 1 a 0. Nas oitavas, venceu a Irlanda por 2 a 0. 

Nas quartas, realizou um dos maiores jogos da história das Copas, contra o Brasil, que até então era tricampeão mundial. A seleção brasileira saiu na frente com Romário e ampliou com Bebeto (o famoso gol “embala-neném”). A Holanda buscou o empate, com Bergkamp e Winter. A partida se encaminhava para a prorrogação, até que Branco soltou uma bomba em cobrança de falta, Romário se esticou todo para frente, fazendo com que a bola passasse pelas suas costas e morresse no cantinho esquerdo do goleiro holandês. No final, vitória do Brasil por 3 a 2, e a Holanda voltava para casa mais uma vez sem a taça.

O lateral Branco cobra a falta do gol que eliminaria a Holanda.
(Foto: Reprodução)

1998

Dois anos antes, a Holanda havia perdido a Eurocopa para a França nos pênaltis. A nova geração holandesa prometia conquistar a Copa do Mundo na casa dos franceses. Na fase de grupos, empatou com a Bélgica por 0 a 0, com o México por 1 a 1 e venceu a Coreia do Sul por 5 a 0. Nas oitavas, em um jogo emocionante, venceu a Iugoslávia por 2 a 1, com gol nos acréscimos de Davids. Nas quartas, em um grande jogo contra a Argentina, venceu novamente nos acréscimos por 2 a 1, com gol de Bergkamp. 

Nas semis, o adversário foi o mesmo de quatro anos antes, o Brasil. A emoção também foi a mesma, sendo decidida somente nos pênaltis. Ronaldo e Kluivert garantiram a igualdade em 1 a 1 no tempo normal. Já na marca da cal, o goleiro Taffarel fez a diferença ao pegar os chutes de Cocu e Ronald de Boer. Mais uma vez eliminados, os holandeses ainda perderam a disputa do terceiro lugar para a Croácia por 2 a 1.

Em pé: Van der Sar, Seedorf, Bergkamp, Stam, Cocu e Jonk; Agachados: Numan, Davids, F. de Boer, Zenden e Kluivert.
(Foto: Reprodução)

2006

O sorteio dos grupos do Mundial da Alemanha já deixou bem claro que os holandeses não teriam vida fácil. No chamado “grupo da morte”, venceu a Sérvia e Montenegro por 1 a 0, a Costa do Marfim por 2 a 1 e empatou com a Argentina por 0 a 0. Nas oitavas, perdeu para Portugal por 1 a 0, no jogo mais violento da história das Copas, que acabou ganhando o apelido de “A Batalha de Nuremberg”. Nesta partida, o árbitro distribuiu 12 cartões amarelos e expulsou quatro jogadores.

O árbitro mostra um dos quatro cartões vermelhos da partida.
(Foto: Getty Images)

2010

Na Copa da África do Sul, a Holanda teve melhor destino no sorteio. Em um grupo mais fácil, venceu a Dinamarca por 2 a 0, o Japão por 1 a 0 e o Camarões por 2 a 1. Nas oitavas, venceu a Eslováquia por 2 a 1. Sneijder era o grande jogador da equipe no Mundial, e provou isto nas quartas, diante do Brasil. De virada, venceu por 2 a 1, com dois gols do baixinho careca. Nas semis, uma difícil partida foi disputada contra o Uruguai. Van Bronckhorst, Sneijder e Robben marcaram na vitória por 3 a 2. Se começaram a Copa desacreditados, agora precisavam conter a empolgação, já que disputavam mais uma final de Copa do Mundo depois de 32 anos. O campeão seria inédito, visto que a também finalista Espanha nunca havia conquistado o título. A partida foi pegada até o fim, sendo decidida somente no segundo tempo da prorrogação, em gol do espanhol Iniesta. Mais uma vez, não deu Holanda.

Sneijder comemora o gol da classificação holandesa, contra o Brasil.
(Foto: Reprodução)

Amanhã, aqui no Boleiros da Arquibancada, a série ''B.A. na Copa'' segue com o tema “Possíveis heróis”, falando dos craques que podem decidir a favor de suas seleções.

Clique e confira mais matérias da série "B.A. na Copa".

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