quarta-feira, 14 de maio de 2014

Maldição encarnada

Benfica perde a sua oitava final europeia seguida e deixa a Europa League nas mãos do Sevilla

De Aracaju.
Por Henrique Ferrera.

14/05/2014 - O Sevilla manteve a calma na marca do pênalti, diferentemente do Benfica, e a equipe andaluz escreveu seu nome no troféu da UEFA Europa League pela terceira vez, se tornando um dos maiores vencedores da competição.

Após uma final de poucas chances, onde sempre esteve alguém no caminho do gol, Beto manteve a forma acertando os lados e defendendo as cobranças de Cardozo e Rodrigo. Bacca, Mbia e Coke converteram, deixando Gameiro para bater o pênalti decisivo. Após muito se dizer que o Benfica daria fim a sua espera de 52 anos para levantar uma taça continental - oito finais perdidas em pouco mais de meio século -, o Sevilla chegou à terceira em nove temporadas.

Rakitic levanta a terceira taça europeia do Sevilla.
(Foto: Getty Images)

As emoções contrastantes após o final da partida foram tão fortes quanto a luta demonstrada pelos jogadores durante o jogo. Os defensores de ambos os times mostraram muita vontade, e o jogo foi tão pegado que camisas chegaram a ficar manchadas de rosa, do atrito entre os dois uniformes - vermelho do Benfica, e branco do Sevilla.

Sulejmani foi o primeiro a conseguir ameaçar, mas sem sucesso em suas duas ameaças pela direita. A terceira vez não aconteceu: não muito depois, o ponta saiu mancando. Jorge Jesus, já com três desfalques por suspensão, tinha outro problema. Ele colocou um defensor, André Almeida, empurrando Maxi Pereira para o meio-campo. E assim o braço-de-ferro continuou, com nenhum dos lados permitindo que o adversário avançasse ao último terço do campo.

Aos poucos, porém, os buracos foram aparecendo. Alberto Moreno, do Sevilla, testou Oblak oito minutos antes do intervalo, e bem pouco antes do fim da primeira etapa, Maxi Pereira quase colocou seu nome na súmula após receber bola de Rúben Amorim. Beto foi bem e conseguiu uma defesa arrojada e corajosa, e apareceu novamente ao evitar o gol de Rodrigo.

O jogo se transformou. Três minutos de segundo tempo e o Sevilla foi pego com sua linha alta, e o gol parecia estar pronto para sair, se não fosse graças à bloqueios de última hora de Nico Pareja e Reyes para impedir. Logo em seguida, Reyes apareceu no ataque e fez Oblak trabalhar. O jogo começava a ficar frenético: de 45 minutos de defesa firme para um turbilhão de chances.

Algumas vezes, entretanto, o famoso "último toque", a finalização de sangue frio pareceu faltar. Mesmo quando um atacante parecia ter tudo para fazer, um zagueiro - geralmente vestindo branco, já que o Sevilla recuava mais e mais - aparecia na frente. Então o jogo foi para a prorrogação, e com todos já com as pernas pesadas, Bacca quase marcou, aparecendo sozinho e chutando forte por cima do gol.

Então, apenas pela terceira vez desde que as finais são em um jogo apenas, a competição foi para os pênaltis. O Sevilla, claro, já tinha sentido na pele em 2007 contra o Espanyol, e seu herói daquela vez, o goleiro Palop, estava no estádio para ver Beto repetir o feito. Sete anos atrás, Unai Emery observava o Sevilla de Palop e Juande Ramos conquistar o torneio, e se perguntava como seria a sensação. Agora ele sabe.

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