sexta-feira, 16 de maio de 2014

B.A. na Copa #5: A evolução do futebol africano

A quinta matéria especial traz o crescimento dos africanos na história das Copas do Mundo


De São Paulo.
Por Eduardo do Carmo.

16/05/2014 - O Mundial no Brasil está chegando e mais um tema importante da série ''B.A. na Copa'' também. Hoje, falaremos especificamente da trajetória e evolução das seleções africanas. Ainda com dificuldade, mas com muita garra, a África mostra o seu valor no futebol e ganha cada vez mais espaço nas diversas edições da maior competição esportiva do planeta. Mas como tudo começou? Quais nações contribuíram para esse desenvolvimento? É isso que veremos a seguir na quinta matéria especial sobre a Copa do Mundo.


O Egito foi o primeiro africano presente em uma Copa do Mundo. A Seleção Egípcia participou da segunda edição, na Itália, em 1934, ocupando a vaga única para o continente. O Mundial teve início nas oitavas de final e os Faraós foram eliminados na primeira partida, contra a Hungria: 4 a 2. O atacante Abdel Fawzi entrou para a história do país ao marcar os dois gols do Egito, que ficou com a 13ª colocação (eram 16 times). Os próprios egípcios se classificaram para o Mundial de 1938, entretanto, desistiram da disputa e deram lugar à Romênia.

A África só voltou ao Mundial em 1970, no México, com o Marrocos, que desbancou a Nigéria e o Sudão na fase final das eliminatórias. Guiné e Zaire tiveram suas inscrições para a disputa negadas pela FIFA. Os marroquinos caíram no grupo 4, ao lado da Alemanha Ocidental, Peru e Bulgária. Na estreia, derrota por 2 a 1 para os alemães. O gol de honra foi marcado por Mohammed Houmane. Contra os peruanos, novo revés (3 a 0). O primeiro ponto africano em Copas aconteceu na partida contra os búlgaros (1 a 1). Maouhoub Ghazouani balançou a rede para os Leões do Atlas.

Ainda com apenas uma vaga disponível, as eliminatórias para a Copa de 1974, que foi realizada na Alemanha Ocidental, tiveram quatro fases. Na decisiva, ficaram Zaire, Zâmbia e Marrocos. Com 100% de aproveitamento contra os dois rivais, Zaire garantiu a classificação. Os Leopardos não tiveram sorte e foram sorteados para uma forte chave: Brasil, Iugoslávia e Escócia completaram o grupo B. Foram três derrotas e nenhum gol marcado (2 a 0 Escócia, 3 a 0 Brasil e 9 a 0 Iugoslávia, a maior goleada da Copa). Hoje, o país africano é chamado de República Democrática do Congo.

Em 1978, na Argentina, uma nova representante: a Tunísia, que deixou para trás o favorito Egito e a Nigéria. No grupo 2, terceira colocação e primeira vitória africana em Copas. Na estreia, fez 3 a 1 no México, gols de Kaabi, Ghommidh e Dhouib. Os tunisianos ainda perderam para a Polônia por 1 a 0, mas proporcionaram a primeira façanha africana: empate sem gols com a Alemanha Ocidental, campeã do Mundial anterior.

A Argélia ganhou da Alemanha Ocidental em 1982.
(Foto: Reprodução)

Mais vagas

Na primeira edição com 24 participantes, em 1982, na Espanha, a África ganhou outra vaga. A Nigéria mais uma vez bateu na trave e perdeu para a classificada Argélia. Camarões garantiu a classificação contra Marrocos. Foi exatamente nesse Mundial que os africanos iniciaram a evolução. 

As duas seleções ficaram bem próximas da segunda fase. No grupo A, marcado por diversos empates, os camaroneses igualaram o resultado com Peru (0 a 0), Polônia (0 a 0) e Itália (1 a 1). Os Leões Indomáveis fizeram os mesmos três pontos e saldo (zero) da Azurra, mas foram eliminados pelos gols feitos (2 a 1 Itália). Já a Argélia, no grupo B, venceu a Alemanha Ocidental por 2 a 1, perdeu para a Áustria por 2 a 0 e derrotou o Chile por 3 a 2. Alemães, austríacos e argelinos somaram quatro pontos. Com o pior saldo, as Raposas não passaram.

Em 1986, no México, pela primeira vez, os representantes africanos não entravam na disputa como estreantes. A Argélia manteve o bom desempenho e Marrocos voltou. Enquanto os argelinos não avançaram no grupo D (derrotas para Brasil e Espanha, além de empate com Irlanda do Norte), os marroquinos lideraram o F, desbancando Inglaterra, Portugal e Polônia. Nos dois primeiros compromissos, duas igualdades sem gols (Poloneses e ingleses). A liderança veio com 3 a 1 nos lusitanos. Nas oitavas, contra a Alemanha Ocidental, o Marrocos deu trabalho, mas tomou gol de Lothar Matthaus nos últimos minutos da etapa final e deu adeus. O treinador da equipe marroquina era o brasileiro José Faria, que entrou para a história ao levar um africano pela primeira vez ao mata-mata.


Camarões bateu a Argentina em 1990.
(Foto: Getty Images)

Camarões e Egito foram as nações classificadas pela África para a Copa da Itália, em 1990. Os egípcios até complicaram a vida dos favoritos do grupo (empate com Holanda e Irlanda, além de magra derrota para os ingleses), mas não avançaram no grupo F. Os camaroneses fizeram ótima campanha. De cara, triunfo diante da poderosa Argentina por 1 a 0. No segundo duelo, Roger Milla brilhou e fez dois na vitória contra a Romênia. Camarões ainda foi goleado pela União Soviética por 4 a 0. Na prorrogação das oitavas de final, Milla apareceu bem novamente e decidiu contra a Colômbia (2 a 1). Nas quartas de final, mais uma vez no tempo extra, os camaroneses não seguraram a Inglaterra e perderam por 3 a 2.

O crescimento do futebol no terceiro maior continente fez que com a FIFA elevasse o número de participantes para três. Em 1994, nos EUA, Camarões conseguiu nova classificação, Marrocos retornou e a Nigéria, enfim, participou do Mundial. Em um grupo complicado, Camarões não repetiu a dose e ficou na primeira fase. Marrocos perdeu os três jogos e também parou. No grupo da Argentina, os nigerianos foram os líderes. 3 a 0 na Bulgária, derrota para os hermanos por 2 a 1 e 2 a 0 sobre a Grécia. A Nigéria não passou das oitavas de final. Contra a Itália, em jogo duríssimo, perdeu por 2 a 1 no tempo extra.

Com 32 participantes em 1998, na França, subiu para cinco o número de vagas africanas. No primeiro Mundial com novo formato, classificaram-se: Camarões, Nigéria, Marrocos, África do Sul e Tunísia. Apenas os nigerianos passaram da primeira fase, mas caíram logo nas oitavas para a Dinamarca.


Senegal desbancou a então atual campeã, a França, em 2002.
(Foto: Reprodução)

Os classificados de 2002, no Japão e Coreia do Sul, foram quase os mesmos da Copa anterior. Apenas Marrocos não conseguiu a vaga, enquanto Senegal foi o novato no Mundial da Ásia. E foram justamente os senegaleses o destaque africano. No grupo A, com a França (então campeã) e Uruguai, garantiu a segunda vaga do grupo, atrás da Dinamarca. Senegal fez 1 a 0 na França e empatou com os dinamarqueses (1 a 1) e uruguaios (3 a 3). Nas oitavas, bateu a Suécia, na prorrogação, por 2 a 1. Contra a Turquia, nas quartas de final, derrota por 1 a 0.

A Tunísia chegou ao seu quarto Mundial, terceiro seguido, em 2006, na Alemanha. Ao seu lado, estavam quatro nações estreantes: Angola, Costa do Marfim, Togo e Gana. Somente os ganeses conseguiram a classificação. Nas oitavas de final, contra o Brasil, perderam por 3 a 0.

A Copa do Mundo de 2010 já tinha sabor especial por ser a primeira em solo africano. A África do Sul recebeu a última edição. Além da anfitriã, Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Camarões e Argélia participaram do evento. Mesmo com cinco eliminados na primeira fase, Gana fez bonito e igualou a melhor marca africana em Copas (a de Camarões em 90 com quartas de final). Após a primeira fase com uma vitória (Sérvia), um empate (Austrália) e uma derrota (Alemanha), os ganeses eliminaram os Estados Unidos nas oitavas. Nas quartas de final, no famoso episódio da mão de Suárez na prorrogação, Gana teve tudo para avançar às semifinais, mas Gyan perdeu o pênalti decisivo. O duelo foi para as penalidades máximas e o Uruguai levou a melhor.

Os classificados de 2014 e suas chances

No grupo A, o do Brasil, Camarões deve no máximo brigar pela segunda colocação. Com uma equipe envelhecida e sem novidades táticas, terá muito trabalho para passar pela Croácia, favorita para ocupar a vice-liderança. O México é o adversário mais parelho para os camaroneses.

A Costa do Marfim, que tem bons valores, enfim caiu em um grupo ''classificável''. Nas duas participações anteriores, caiu em grupos da morte. Holanda, Argentina e Sérvia, em 2006. Brasil e Portugal, em 2010. No grupo C, ao lado de Colômbia, Grécia e Japão tem grande possibilidade de ficar com o topo. O cruzamento das oitavas de final, porém, é ingrato, já que pode pegar Itália, Uruguai ou Inglaterra.

Em uma fase de transição em sem estrelas, a Nigéria enfrentará Argentina, Bósnia e Irã no grupo F. Como os argentinos são os favoritos e o Irã a zebra, briga com os bósnios pela segunda vaga. Confirmando a vaga, tem um duelo de oitavas de certo modo não tão difícil. Pode encarar o ferrolho suíço ou os franceses, por exemplo.

Gana é a melhor equipe africana, mas tem pela frente já na fase inicial, pelo grupo G, Alemanha e Portugal. Os ganeses têm potencial para duelar com os portugueses, muito dependentes de Cristiano Ronaldo. Não será surpresa uma eliminação dos gajos por conta do avanço ganês.

A seleção mais fraca, por sua vez, é a Argélia, que caiu no grupo H ao lado de Bélgica, Rússia e Coreia do Sul. A classificação argelina é improvável.

Nossa série continua amanhã com uma análise dos times pequenos que disputarão esta edição da Copa do Mundo. Fique ligado.

Clique e confira todas as matérias da série "B.A. na Copa".

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