quarta-feira, 14 de maio de 2014

B.A. na Copa #3: As maiores zebras da história

Na terceira matéria da nossa série especial, relembre cinco zebras históricas da Copa do Mundo

De Belo Horizonte.
Por Manuel Carvalho.

14/05/2014 - Falta menos de um mês para o início do maior evento esportivo do planeta. Neste terceiro dia da série "B.A. na Copa", viajaremos um pouco na história das Copas para encontrar as seleções com menos tradição, mas que já deixaram os favoritos comendo poeira. Será que neste ano teremos mais alguma grata surpresa?



Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra (1950)

29 de Junho de 1950, Estádio Independência, em Belo Horizonte. Nessa data e local, a primeira grande zebra da história das Copas do Mundo. Apesar de serem os criadores do futebol moderno, a poderosa Inglaterra participava de sua primeira Copa do Mundo, mas já esbanjava grande otimismo. Muitos apostavam que os ingleses levariam o título da primeira edição do torneio após a Segunda Guerra Mundial. Já os desconhecidos Estados Unidos, que haviam feito uma longa viagem de navio rumo à América do Sul com um grupo de jogadores semiprofissionais, chegavam desacreditados. Os bancos de aposta pagavam 500 dólares para cada dólar apostado em favor dos americanos.


Foto: Getty Images

O principal jogador inglês havia sido poupado para o confronto graças ao teórico baixo nível de dificuldade da partida, tendo inclusive o técnico dado declarações de que esperava que os seus comandados marcassem apenas cinco ou seis gols, enquanto um zagueiro rival afirmava sair feliz com uma derrota de 2 a 0. Mas o tiro saiu pela culatra e os Estados Unidos conseguiram marcar o único gol da partida aos 38 minutos do primeiro tempo, com Joe Gaetjens. Quando o juiz apitou o fim da partida, os americanos foram carregados nos ombros pelos torcedores brasileiros que haviam invadido o gramado. Reza a lenda que um jornal inglês, após receber por telegrama o resultado da partida, teria considerado o zero como dez, estampando em sua manchete a goleada inglesa por 10 a 1.

Os americanos, que já haviam perdido para a Espanha por 3 a 1, perderam para o Chile por 5 a 2 e deram adeus ainda na primeira fase do torneio.


Foto: Reprodução

Coreia do Norte 1 x 0 Itália (1966)

A base da seleção italiana era formada por jogadores que seriam vice-campeões quatro anos depois. A seleção coreana fazia sua estreia em Copas do Mundo, enquanto a Itália já havia sido campeã em 1934 e 38. Nas casas de apostas, o favoritismo da seleção italiana era de 1000 dólares para cada dólar apostado. A Coréia do Norte já havia perdido da URSS e empatado com o Chile. Os italianos precisavam apenas de um empate para se classificar, mas não contavam com a determinação e insistência dos norte-coreanos. As seleções se enfrentavam pela última rodada da primeira fase, no dia 19 de julho, no estádio Ayresome Park, em Middlesbrough (Inglaterra). O histórico gol da vitória foi marcado aos 42 minutos do primeiro tempo, por Pak Doo Ik.

O resultado, que surpreendeu a todos, classificou os asiáticos para as quartas de final e eliminou a Azzurra do torneio. Na volta para a Itália, a delegação seguiu de avião até Gênova – onde foi recebida com insultos e uma chuva de tomates. Na segunda fase, a Coreia caiu nas quartas de final ao perder por Portugal, de Eusébio, por 5 a 3.

Argélia 2 x 1 Alemanha (1982)

Uma importante mudança ocorreu na Copa da Espanha. Desde 1954, eram 16 as seleções que participavam do torneio, mas neste ano passou a contar com mais oito seleções, totalizando 24, e passando a dar ao continente africano duas vagas. Nesta edição, elas foram representadas por Argélia e Camarões, ambas estreantes em Copas. Os argelinos caíram numa chave com Alemanha, Áustria e Chile.

Com pouca tradição, todos apostavam em uma estreia fácil da favorita Alemanha, seleção forte e tradicional em conquistas. No dia 16 de junho, as duas seleções entraram em campo na cidade de Gijón. Os alemães liderados em campo por Karl-Heinz Rummenigge acabaram derrotados pela Argélia por 2 a 1, o que protagonizou a primeira derrota de uma seleção europeia para africanos.


Foto: Reprodução

Depois da Alemanha, os argelinos ainda bateram os chilenos. Apesar da boa campanha, acabaram eliminados por conta de um complô entre Alemanha e Áustria, na partida que ficou marcada como o “Jogo da Vergonha”, já que uma vitória por 1 a 0 dos alemães levaria os dois times à próxima fase, e foi o que acabou acontecendo. Depois que os alemães abriram o placar aos dez minutos do primeiro tempo, as equipes passaram a tocar a bola no meio de campo, ouvindo sonoras vaias e decretando o final do sonho argelino de seguir na competição. A partir de então, as partidas da última rodada de grupos em competições oficiais da FIFA sempre seriam disputadas no mesmo horário.

Argentina 0 x 1 Camarões (1990)

O dia 8 de junho não traz boas lembranças aos argentinos. Comandada pelo experiente Roger Milla, a equipe africana surpreendeu a Argentina ao vencer pelo placar de 1 a 0, no estádio San Siro (Giuseppe Meazza), em Milão, no jogo de abertura da Copa, disputada na Itália. O gol histórico foi marcado por François Omam-Biyik. Os atuais campeões mundiais e favoritos absolutos à vitória contavam com craques como Sensini, Maradona, Cannigia e Balbo.

A seleção camaronesa, que encantava o mundo com um futebol bonito, ainda fez um bom papel no restante da Copa do Mundo, avançando até as quartas de final, com vitórias sobre a Romênia por 2 a 0 e a Colômbia por 2 a 1, mas perdeu para a Inglaterra por 3 a 2, sendo eliminada da competição.


Foto: Getty Images

França 0 x 1 Senegal (2002)

Era 31 de maio, partida de abertura da Copa de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul. A atual campeã mundial, França - que havia vencido a final contra o Brasil quatro anos antes –, vinha com todo favoritismo contra o Senegal, no estádio de Seul. Os franceses não contavam com Zidane, lesionado, mas ainda tinha jogadores de qualidade como Henry e Trezeguet. A vitória dos Les Bleus era dada como certa. No entanto, a história foi escrita de forma diferente, já que Senegal venceu por 1 a 0, com gol de Papa Bouba Diop, aos 30 minutos do primeiro tempo, após rápido contra-ataque.

A seleção do Senegal surpreendeu a todos com um time bem ofensivo, mas bem postado defensivamente. Os senegaleses jogavam um futebol bonito, ousado e alegre, conquistando torcedores no mundo todo. Na sequência da competição, os africanos empataram com a Dinamarca em 1 a 1 e com o Uruguai em 3 a 3, o que foi suficiente para levá-los à próxima fase. Nas oitavas, enfrentaram a Suécia, e venceram por 2 a 1 com gol de ouro. Eles já igualavam o feito de Camarões em 1990, como a melhor campanha de uma seleção africana. Nas quartas, em confronto equilibrado, acabou eliminada pela também surpreendente Turquia.


Foto: Reprodução

Outras zebras

Podemos recordar também algumas outras zebras:

Brasil 0x1 Uruguai (1950), o famoso “Maracanazo”;
Alemanha Oriental 1x0 Alemanha Ocidental (1974) - a seleção ocidental tinha Beckenbauer e Gerd Muller;
Brasil 2x3 Itália (1982), que ficou conhecido como “Tragédia de Sarriá”;
Alemanha 0x3 Croácia (1998), da estreante seleção croata;
Coreia do Sul 2x1 Itália (2002), que posteriormente, causou a demissão de Ahn Jung-Hwan, autor do gol de ouro coreano e jogador do Perugia, da Itália.

Em 2014...
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Com a tabela da Copa do Mundo de 2014 definida, todos já começam a especular qual poderá ser a próxima grande zebra. No Grupo B, o Chile pode surpreender Espanha e Holanda. A seleção de Jorge Sampaoli conta com jogadores do quilate de Arturo Vidal, da Juventus, Alexis Sánchez, do Barcelona, e Eduardo Vargas, do Napoli. Outra surpresa pode ser a Colômbia, do craque Falcao Garcia, que luta contra o tempo para se recuperar de uma grave lesão. A equipe conta também com grandes nomes, como Fredy Guarín, da Inter de Milão, James Rodríguez, do Monaco, e Jackson Martínez, do Porto.

Amanhã, aqui no Boleiros da Arquibancada, a série ''B.A. na Copa'' segue com o tema “Os cabeças de chave inusitados”, falando das seleções sem tradição que já foram cabeças dos grupos.

1 comentários :

  1. Boas lembranças. Felipão abra o olho,pois, além do fisco português existem as zebras também . Marcos Paulo

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