terça-feira, 13 de maio de 2014

B.A. na Copa #2: Brasil de todas as Copas

Na sequência da série especial da Copa, as campanhas da seleção brasileira em todas as edições

De São Paulo.
Por Eduardo do Carmo.

13/05/2014 - Menos um dia na contagem regressiva, mais uma matéria da série especial sobre a Copa do Mundo. Hoje, o ''B.A. na Copa'' traz as campanhas do Brasil em todas as edições. Único selecionado presente em todas as Copas, o esquadrão Canarinho é o maior vencedor dos Mundiais, com cinco conquistas.


A história teve início complicado por conta de desentendimentos dos dois principais fornecedores de atletas brasileiros. A Federação Paulista teve problemas políticos com a Carioca e não cedeu jogadores. Araken Patusca foi o único paulista na Seleção. O meia-atacante brigou com o seu clube, o Santos, contrariou os dirigentes paulistas e foi ao Uruguai para a disputa do primeiro Mundial, em 1930. Os destaques do Brasil nessa Copa foram: Fausto dos Santos (Vasco), Preguinho (Fluminense) e Moderato (Flamengo).

Na primeira fase, em um triangular, o Brasil perdeu para a Iugoslávia por 2 a 1 na estreia. O atacante Preguinho foi o autor do gol de honra. Os próprios iugoslavos venceram a Bolívia por 4 a 0 e garantiram a vaga do grupo 2. Os brasileiros só cumpriram tabela contra os bolivianos e saíram vitoriosos: 4 a 0. Gols de Moderato (2) e Preguinho (2).

A FIFA levou a segunda edição para a Europa. Em 1934, os italianos receberam as nações para mais uma disputa. Em fase complicada, o Brasil continuou com alguns problemas para a montagem do elenco. Com isso, novamente ficou na primeira fase. O torneio começou já nas oitavas de final. Contra a Espanha, derrota por 3 a 1 e pior campanha da história. O gol canarinho foi marcador por Leônidas da Silva. Waldemar de Brito, Carvalho Leite e Patesko eram as outras estrelas do plantel.

Na Copa de 1938, o Brasil levou força máxima para a França. E a trajetória melhorou. Mais uma vez, a competição teve início nas oitavas de final. Na prorrogação, vitória contra a Polônia por 6 a 5. Três gols de Leônidas, que foi o artilheiro do Mundial com sete. Romeu e Perácio (2) completaram o marcador. Nas quartas, empate em 1 a 1 com a Tchecoslováquia (outro gol de Leônidas). Com o empate na prorrogação, um novo duelo para desempate foi marcado. Nele, triunfo brasileiro por 2 a 1 (Leônidas e Roberto).

Na semifinal, com contusão de Leônidas, o Brasil não segurou a Itália: 2 a 1. Romeu marcou o tento solitário. Na disputa pelo terceiro lugar, a seleção Verde-Amarela derrotou a Suécia por 4 a 2. Leônidas anotou mais dois gols. Romeu e Perácio completaram a goleada.

Brasil, 1950.
(Foto: Divulgação)

Após a pausa por conta da Guerra, o Brasil recebeu a Copa do Mundo de 1950. A Seleção teve o artilheiro (Ademir de Menezes), o melhor ataque (22) e melhor jogador da competição (Zizinho). Na primeira fase, 4 a 0 no México (2 de Ademir, Jair e Baltazar), 2 a 2 contra a Suíça (Alfredo e Baltazar) e 2 a 0 na Iugoslávia (Ademir e Zizinho). No quadrangular final, Ademir brilhou e fez quatro na goleada de 7 a 1 na Suécia. Após 6 a 1 na Espanha, o título brasileiro era dado como certo. No entanto, na partida decisiva, de virada, o Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1 e frustrou os quase 200 mil espectadores no Maracanã. Até hoje, o revés é muito sentido pelos torcedores da época. O ocorrido é lembrado como ''Maracanaço''.

Em 1954, na Suíça, o Brasil chegou renovado por conta da derrota anterior. Até o uniforme mudou. O branco, considerado azarado, foi substituído pela camisa amarela e calção azul. Nesta edição, alguns craques: Didi, Nilton Santos, Djalma Santos e Castilho, o que dava esperança ao brasileiros. Na fase inicial, classificação sem sustos. 5 a 0 no México e igualdade em um gol com a Iugoslávia. O problema apareceu nas quartas de final, quando o Brasil foi eliminado pela espetacular Hungria de Puskas.

Estava difícil conquistar o primeiro título, mas aí apareceu Pelé em 1958. Na verdade, o time titular inteiro era uma constelação. No gol, Gilmar. Bellini e Orlando na zaga. Djalma Santos e Nilton Santos formaram uma das melhores duplas de laterais de todos os tempos. Zito, Zagallo e Didi no meio-campo. Pelé, Garrincha e Vavá comandavam o ataque. 

Duas vitórias (3 a 0 na Áustria e 2 a 0 na União Soviética) e um empate sem gols com a Inglaterra classificaram a Seleção Brasileira em primeiro lugar no grupo 4. Após um magro 1 a 0 no País de Gales, nas quartas de final, o Brasil goleou a França (5 a 2) na semifinal. A decisão foi contra a Suécia, dona da casa. O esquadrão brasileiro não tomou conhecimento dos suecos e venceu a final por 5 a 2. Na campanha da primeira taça, Pelé foi eleito o melhor jogador jovem. Didi foi o melhor atleta do Mundial.

Ainda com a base de 58, o Brasil faturou o bi em solos chilenos, em 1962. Garrincha foi o melhor jogador da Copa e foi importantíssimo para o grupo já que Pelé se machucou na segunda partida e perdeu o restante da competição. No grupo 1, triunfo diante do México por 2 a 0 (Zagallo e Pelé). No empate sem gols com a Tchecoslováquia, o Brasil encaminhou a classificação, mas perdeu Pelé. Na última rodada, vitória contra a Espanha por 2 a 1. Os gols foram marcados por Amarildo, substituto de Pelé. A Seleção Canarinho bateu a Inglaterra por 3 a 1, nas quartas de final, despachou o Chile (4 a 2) na semifinal e levantou a sua segunda taça, após 3 a 1 na Tchecoslováquia.

Com Pelé de volta e no auge, o Brasil tinha tudo para levar o tri, em 1966, na Inglaterra. A preparação, porém, foi confusa e os favoritos caíram ainda na primeira fase. A Seleção iniciou com uma vitória contra a Bulgária por 2 a 0, mas perdeu para a Hungria por 3 a 1 e para Portugal pelo mesmo placar.

Brasil, 1970.
(Foto: Divulgação)

Após a trágica campanha em 66, o Brasil entrou em uma difícil fase. Muitas trocas de treinadores e indefinição na escalação. Com o tempo, as coisas se ajeitaram e a Seleção conseguiu reunir um dos melhores grupos de todos os tempos. Goleiro: Félix. Zagueiros: Piazza e Brito. Laterais: Carlos Alberto e Everaldo. Meias: Clodoaldo, Gerson e Rivellino. Atacantes: Tostão, Pelé e Jairzinho. 

Com todas as adversidades, a Seleção chegou pronta para a disputa do Mundial de 70, no México. Na primeira fase, 100% de aproveitamento. 4 a 1 na Tchecoslováquia, 1 a 0 na Inglaterra e 3 a 2 na Romênia. Nas quartas de final, 4 a 2 no Peru. A semifinal teve um adversário mais tradicional, o Uruguai, mas o Brasil garantiu a vaga na decisão com uma virada: 3 a 1. Na decisão, vitória maiúscula na Itália: 4 a 1. Pelé foi o melhor jogador do tri.

A Seleção Verde-Amarela entrou no Mundial seguinte respaldada pela conquista anterior, mas perdeu muitos jogadores. A geração que chegou também tinha qualidade, mas sucumbiu na segunda fase da Copa de 74, na Alemanha Ocidental. Na disputa pelo terceiro lugar, perdeu por 1 a 0 para a Polônia. Em 1978, na Argentina, caiu novamente na segunda fase. Dessa vez, faturou a terceira posição contra a Itália.

A esperança voltou em 1982, na Espanha, quando o Brasil montou um time que apresentava o famoso futebol arte. Falcão, Sócrates e Zico eram alguns dos exemplos de astros. Logo de cara, no grupo F, três belas apresentações e classificação com folga na primeira fase. Na fase posterior, no triangular, triunfo por 3 a 1 contra a Argentina. Como a Itália também venceu a Argentina, ela seria a adversária final do Brasil na segunda fase. Em um dos melhores jogos da história das Copas, os italianos venceram por 3 a 2 e eliminaram os rivais brasileiros.

As duas próximas edições também tiveram resultados negativos para o Brasil. Em 1986, no México, eliminação para a França nas penalidades das quartas de final. Já em 90, na Itália, com um time apenas modesto, o Brasil passou no fácil grupo C, mas foi eliminado pela Argentina, nas oitavas, com gol de Caniggia.

Em 1994, o time de Romário e Bebeto chegou desacreditado nos Estados Unidos. A Seleção só conseguiu a classificação na última rodada das eliminatórias. Com todas as críticas e um futebol nada vistoso, o Brasil foi muito competitivo e conquistou o Tetra. Na primeira fase, 2 a 0 na Rússia, 3 a 0 em Camarões e 1 a 1 diante da Suécia. Nas oitavas, após primeira colocação no grupo B, 1 a 0 nos EUA (gol de Bebeto). A partida das quartas de final também não foi fácil: 3 a 2 na Holanda. Seguindo o sofrimento, 1 a 0 na Suécia, na semifinal, e título nos penais contra a Itália.

A Copa da França, em 1998, ainda deixa um ponto de interrogação na cabeça dos brasileiros. O Brasil despachou Chile e Dinamarca, nas oitavas e quartas, respectivamente. Nos pênaltis, eliminou a fortíssima Holanda, na semifinal. O fiasco veio na estranha final contra a França. O time de Zidane e cia. fez 3 a 0.

Brasil, 2002.
(Foto: Divulgação)

A mancha foi apagada em 2002, na Copa dividida entre Japão e Coreia do Sul, quando o técnico Felipão formou a 'família Scolari'. A primeira fase brasileira foi perfeita. Três triunfos contra Turquia (2 a 1), China (4 a 0) e Costa Rica (5 a 2). Com um show de Marcos, que fechou o gol, o Brasil eliminou a Bélgica nas oitavas (2 a 0). Nas quartas de final, destaque para Rivaldo na vitória por 2 a 1 diante da Inglaterra. A partir daí, Ronaldo foi o dono da seleção. O artilheiro da Copa na Ásia fez 1 a 0 na Turquia, na semifinal, e marcou os dois gols na decisão contra a Alemanha: Penta!

Nas duas últimas Copas, o Brasil foi eliminado nas quartas de final por seleções europeias. A primeira eliminação, em 2006, na Alemanha, para a França, no lance tão discutido dos meiões do lateral Roberto Carlos. Já em 2010, na África do Sul, o algoz foi a Holanda.

BALANÇO

Primeira fase: 1930, 1934 e 1966
Oitavas de final: 1990
Quartas de final: 1954, 1982, 1986, 2006 e 2010
Quarta colocação: 1974
Terceira colocação: 1938 e 1978
Vice-campeão: 1950 e 1998
Campeão: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002

Amanhã, aqui no Boleiros da Arquibancada, a série ''B.A. na Copa'' segue com as ''zebras'' que já fizeram história em Copas do Mundo.

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