quinta-feira, 29 de maio de 2014

B.A. na Copa #17: Injustiçados?

Em um país formado por milhões de "técnicos", os 23 convocados para a seleção nunca foram unanimidade

De Belo Horizonte.
Por Júlia Alves.

29/05/2014 - Participar de uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer jogador de futebol. Entretanto, somente um grupo seleto possui a oportunidade de defender a camisa da seleção de seu país. Não é tarefa fácil ser um dos 23 convocados. Nem sempre apresentar um futebol de alto nível é o bastante. É preciso ir além. Possuir bom comportamento, condições físicas e, claro, a simpatia do treinador, são alguns dos ingredientes para ter lugar garantido na lista dos escolhidos.

Ao longo da história das Copas, vimos grandes jogadores se destacarem vestindo a camisa de seus clubes, mas eles sequer foram lembrados no momento da escolha do grupo para o Mundial ou acabaram cortados aos 45 do segundo tempo. Essa história é recorrente nas convocações da seleção brasileira. Dificilmente uma Copa do Mundo passa sem que tenha um brasileiro eleito injustiçado por ter ficado de fora da competição.

Veja abaixo alguns dos jogadores que foram esquecidos pelos treinadores e os possíveis motivos pelos quais eles tenham sido deixados para trás.


Dirceu Lopes: o "príncipe do futebol" na era do rei Pelé

Nome: Dirceu Lopes Mendes
Data de nascimento: 3 de setembro de 1946
Posição: Meio-campista.
Clubes: Pedro Leopoldo (1962-1963), Cruzeiro (1964-1977), Fluminense (1977-1978), Uberlândia (1978-1980) e Democrata-GV (1980-1981)

Em uma época que o mundo se curvava diante do talento de Pelé, surgiu em Minas Gerais, com a camisa do Cruzeiro, Dirceu Lopes mostrando seu futebol de alta velocidade, dribles desconcertantes e chutes colocados.  Não demorou muito para ele conquistar o carinho dos torcedores cruzeirenses e admiração de todo país. No final da Taça Brasil, Dirceu fez três gols da vitória por 6 a 2 em cima do Santos do rei Pelé e foi nomeado o príncipe do futebol brasileiro.

Presente na maioria das convocações para os jogos antes da Copa do Mundo de 1970, que seria disputada no México, Dirceu Lopes foi surpreendido quando João Saldanha, que era fã declarado de seu futebol, deixou o comando da seleção canarinho devido a atritos com o presidente Médici. Zagallo foi o novo escolhido para treinar aquele time e deixou Dirceu de fora da competição alegando já haver “muitos jogadores para a sua posição”. É verdade que a equipe era formada por nomes de peso como Rivelino, Gérson, Pelé, Jairzinho e Tostão, companheiro de clube de Dirceu, mas ele poderia ser lembrado.

Dirceu Lopes, o "príncipe".
(Foto: Reprodução)

Ademir da Guia: foi à Copa, mas não chegou ao banco de reservas

Nome: Ademir da Guia
Data de nascimento: 3 de Abril de 1942
Posição: Meio-campista
Clubes: Bangu (1960–1961) e Palmeiras (1962–1977)

Ademir da Guia é o maior ídolo da história do Palmeiras, clube pelo qual foi bicampeão brasileiro em 1972 e 1973 e onde jogou por 16 anos. Divino, como era conhecido devido à sua categoria com a bola nos pés e a elegância em campo, sofreu o mesmo problema de Dirceu Lopes: nasceu na época errada. Ademir fez parte de uma geração compostas por grandes meio-campistas e a concorrência para vestir a camisa verde amarela era brutal. Mesmo assim, ainda fica aquele sentimento que ele merecia mais oportunidades na seleção brasileira.

Ademir jogou apenas 14 vezes com a amarelinha, sendo apenas uma na Copa do Mundo de 1974, em um jogo que o Brasil já estava eliminado. Apresentando um futebol vistoso na década de 60, Divino vivia a expectativa de uma convocação para a Copa de 70, o que não aconteceu. Quatro anos mais tarde, foi um dos selecionados para o Mundial na Alemanha. Mas, para a tristeza de uma nação, sequer ficou no banco, a não ser após a eliminação do Brasil. Na decisão do terceiro lugar contra a Polônia, Ademir fazia uma boa partida, porém, acabou substituído no segundo tempo e viu do banco Lato fazer o gol da vitória dos poloneses.

Ademir da Guia, o "Divino".
(Foto: Reprodução)

Reinaldo: injustiçado pelo destino

Nome: José Reinaldo de Lima
Data de nascimento: 11 de Janeiro de 1957
Posição: Atacante
Clubes: Atlético Mineiro (1973-1985), Palmeiras (1985), Rio Negro (1986), Cruzeiro (1986), BK Häcken - Suécia (1987) e Telstar - Países Baixos (1987-1988)

Um menino de 16 anos surgia para todo Brasil, em 1973, vestindo a camisa do Atlético-MG e encantando todos por onde passava com o seu futebol arte. Em seu primeiro ano de profissional, Reinaldo já dava show em campo com suas jogadas de efeito, dribles desconcertantes e gols dignos de um exímio craque. Não era fácil parar aquele jovem atacante que, franzino e ainda em formação, enfrentou as fortes divididas com atletas já desenvolvidos fisicamente. Talvez, esse tenha sido o motivo para as inúmeras lesões que sofreu e que foram extremamente prejudiciais a sua carreira.

Reinaldo era a grande esperança do Brasil para a Copa de 1978, na Argentina. Mas o craque não esteve em sua melhor forma e, com uma contusão no joelho, jogou no sacrifício as outras partidas sem render tudo aquilo que podia. No período entre Copas, o atacante continuou sofrendo com lesões no joelho, mesmo assim, voltou a ter grandes atuações. Entretanto, isso não foi o suficiente para comparecer ao Mundial de 1982, já que, além do problema físico, Reinaldo tinha desavenças com o governo militar e não agradava o técnico Telê Santana. 

Reinaldo e o gesto que ficou eternizado.
(Foto: Reprodução)

Romário: em meio a tantas polêmicas, o baixinho fica de fora de duas Copas

Nome: Romário de Souza Faria
Data de nascimento: 29 de janeiro de 1966
Posição: Atacante
Clubes: Vasco da Gama (1985–1988), PSV Eindhoven – Países Baixos (1988–1993), Barcelona (1993–1994), Flamengo (1995–1999), Valencia (1996-1997), Vasco da Gama 1999–2002, Fluminense (2002–2004), Al-Sadd – Catar (2003), Vasco da Gama (2005–2006), Miami FC – Estados Unidos (2006), Adelaide United – Austrália (2006) e Vasco da Gama (2007–2008)

Entre jogadas magníficas, inúmeros gols e incalculáveis polêmicas, Romário traçou uma carreira de muito sucesso. O Baixinho, responsável por balançar as redes por mais de 1000 vezes, vestiu a camisa de grandes times brasileiros e europeus e participou da conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo de 1994. O atacante chegou a defender a seleção brasileira em outras ocasiões, mas, por motivos diferentes, não compareceu nas duas Copas seguintes.

Romário na Copa de 1994, única que jogou.
(Foto: Reprodução)

Um mês antes da Copa de 1998, Romário sentiu uma contratura muscular e mesmo assim viajou com a seleção para a França. Porém, a comissão técnica não aguardou a sua recuperação e o atacante acabou cortado na última hora.

A ausência do Mundial de 2002 começa a ser explicada com a Copa América de 2001, quando foi chamado por Felipão, mas pediu dispensa para fazer uma operação no olho. Em seguida, sem cumprir o repouso médico, foi para uma excursão no México com o Vasco, desagradando o técnico. No Campeonato Brasileiro daquele ano, Romário foi o artilheiro, aumentando ainda mais o apoio da torcida por sua volta à seleção. O atacante convocou até uma entrevista coletiva para pedir desculpa a Felipão, que, apesar da pressão popular, não o chamou para a Copa e o deixou de fora da “família Scolari” pentacampeã.

Alex comemora gol durante a Copa América de 2001. Copa? Nenhuma.
(Foto: Getty Images)

Alex: o craque que a Seleção não levou para um Mundial. Azar da Copa do Mundo...

Nome: Alexsandro de Souza
Data de nascimento: 14 de setembro de 1977
Posição: Meio-campista
Clubes: Coritiba (1995–1997), Palmeiras (1997–2000), Flamengo (2000), Palmeiras (2001), Cruzeiro (2001), Palmeiras (2002), Parma - Itália (2002), Cruzeiro (2002–2004), Fenerbahçe - Turquia (2004–2012) e Coritiba (2013–2014)

Ídolo por onde passou, profissional exemplar e exímio camisa 10. Esse é Alex, o jogador de passes perfeitos, jogadas geniais, leitura de jogo impecável e um dos maiores injustiçados por não defender a amarelinha em Copa do Mundo. Difícil poupar elogios a esse grande atleta que fez história pelo Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe. No time paulista, Alex foi maestro da conquista da Libertadores de 1999 e, na equipe mineira, o principal responsável pela tríplice coroa de 2003. Foram anos apresentando um futebol de alto nível, porém, ir a uma copa não passou de sonho.

Após integrar o grupo campeão da Copa América de 1999 e participar de toda eliminatória para a Copa de 2002, Alex parecia ter lugar garantido naquela seleção. Porém, Felipão inexplicavelmente o deixa de fora. No ano seguinte, o craque deu espetáculo pelo Cruzeiro, voltou à seleção brasileira e venceu a Copa América de 2004. Grande parte da torcida ainda tinha esperanças de vê-lo no Mundial na Alemanha e outra vez ele foi deixado de fora, desta vez por Parreira. Devido à carência de meias criativos que assola nosso futebol, não seria loucura nenhuma Alex ter feito parte da equipe de 2010, mas o técnico Dunga optou por Júlio Baptista para compor o banco.

Amanhã, a série especial retorna falando de todos os campeões em Copas do Mundo.

Confira todas as matérias da série B.A. na Copa.

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