terça-feira, 27 de maio de 2014

B.A. na Copa #16 - Jogos inesquecíveis

Na 16ª  matéria da série especial, cinco jogos que marcaram a história das Copas do Mundo

De Belo Horizonte.
Por Vinícius Silveira.

27/05/2014 - Volta e meia o amante do futebol pergunta a um amigo: "Você lembra daquele jogo?". Pois bem, é inevitável que situações como estas adentrem as rodas de conversas dos boleiros deste esporte que é o mais adorado do mundo. Em época de Copa do Mundo, há jogos inesquecíveis para todos os gostos. Quem acompanhou pelo menos um Mundial vai lembrar com carinho de diversas partidas que marcaram época. E esses grandes jogos são temas da 16ª matéria da nossa série B.A. na Copa.

O Boleiros da Arquibancada, em uma atitude bastante dolorosa, escolheu cinco jogos marcantes em Mundiais. E todos nós sabemos que, em 19 edições da Copa do Mundo, temos muitos jogos que deixaram saudades, deixando os torcedores aflitos, tristes, alegres e até mesmo revoltados. Afinal de contas, quer um esporte mais imprevisível do que o futebol?



Então, venha conosco e relembre cinco partidas que marcaram as Copas do Mundo. Detalhe: sem qualquer tipo de classificação ou ordem de importância. Todos deixaram sua marca.

1. Brasil 1 x 2 Uruguai - (1950) - Maracanazo

Após 12 anos sem Copa do Mundo graças à Segunda Guerra Mundial, o Brasil pleiteou ser a sede do Mundial de 1950. A decisão só saiu em 1948 e após a escolha da FIFA, o país que mais tarde viria a ser referência neste esporte sediou o torneio em 1950. A Copa teve apenas 13 seleções. No quadrangular, a seleção brasileira, que ainda não era canarinho pois atuava toda de branco, realizou uma espécie de final contra o Uruguai.


 Ghiggia marca contra o Brasil
(Foto: AP)

Há quem diga que o Maracanã recebeu 200 mil pessoas. Os torcedores se espremeram para ver Friaça marcar o primeiro gol brasileiro, logo no minuto inicial do segundo tempo. Depois do gol, o Uruguai, comandado por Obdúlio Varela, virou o jogo com gols de Schiaffino, aos 21, e Ghiggia, aos 34. Este último causou dor e desespero aos torcedores que, descrentes, se calaram e apenas choraram nas arquibancadas do Maracanã. O mundo do futebol assistiu a um dos embates mais sofridos dos Mundiais.

2. Itália 4 x 3 Alemanha Ocidental (1970) - Um jogaço


Para os brasileiros, o Mundial de 1970 foi um marco, pois foi o primeiro em que puderam assistir a Copa do Mundo ao vivo pela televisão. Entre muitos jogos fantásticos daquele torneio, o mais emocionante não foi a final Brasil vs. Itália. A partida também teve como protagonista a seleção italiana, mas outro escrete compôs aquele embate: a Alemanha Ocidental, de Gerd Muller e Franz Beckenbauer. O duelo entre italianos e alemães, pela semifinal, foi o mais empolgante do campeonato no Estádio Azteca.


 Beckenbauer e a Alemanha tentaram, mas a Itália venceu.
(Foto: Arquivo/Reprodução)

A Itália abriu o marcador com Boninsegna aos oito do primeiro tempo e levou o empate com Schnellinger aos 47 do segundo tempo, quando os italianos já se preparavam para festejar a classificação. O zagueiro Franz Beckenbauer deslocou o ombro direito e, com as duas alterações já realizadas, o "Kaiser" preferiu voltar a campo e fez uma partida deslumbrante, mesmo com o braço imobilizado. Na prorrogação, Gerd Muller anotou dois gols, mas os italianos venceram com Burgnich, Riva e Rivera e conseguiram a vaga para a final.

3. Argentina 6 x 0 Peru (1978) - Hermanos precisavam de quatro gols e fizeram seis

É um dos resultados mais emblemáticos da história das Copas do Mundo. A seleção argentina que, diga-se de passagem, tinha um grande elenco, conseguiu o que poucos pensavam. Para se classificar para a final e eliminar o Brasil na segunda fase do Mundial realizado na Argentina, os "hermanos" precisavam de um placar superior a quatro gols para bater os canarinhos no saldo de gols e ir para final.


 Houseman marca o último gol da Argentina contra o Peru.
(Foto: Reprodução)

E não é que eles fizeram? Muito mais do que isso, anotaram 6 a 0 no Peru, na cidade de Rosário. Os gols foram de Mário Kempes, o melhor jogador daquele Mundial, Luque, duas vezes, Tarantini e Houseman. O resultado gera polêmica até hoje e muitas são as versões para aquela vitória da Argentina. Até hoje, nada foi provado.

4. Brasil 2 x 3 Itália (1982) - Paolo Rossi entristece um país

Como escrevi ao início de minha coluna, quer um esporte mais imprevisível que o futebol? Este embate entre Brasil e Itália, último jogo da segunda fase, comprova isso. O Brasil praticava um futebol bonito, vistoso, que encantava a todos os torcedores e espectadores daquele Mundial na Espanha. A Itália protagonizava o futebol de força, pragmático, valorizando apenas o resultado. Ainda que tenha se classificado na primeira fase com três empates e apenas dois gols marcados, jogou muito contra a Argentina na segunda parte da Copa do Mundo, vencendo por 2 a 1.


 A Itália surpreendeu e fez sua melhor partida diante do Brasil.
(Foto: Ricardo Chaves/Editora Abril)

Paolo Rossi anotou três gols. Para o Brasil, marcaram Sócrates e Falcão. A derrota foi a mais dolorosa da história da seleção canarinho e marcou uma nova era no futebol mundial, onde o futebol força venceu o talento.

5. Alemanha Ocidental 3 (5) x (4) 3 França (1982) - Os "Kaisers" foram buscar o resultado

Depois do Brasil, talvez Alemanha Ocidental e França fossem as melhores seleções da Copa do Mundo na Espanha. Comprovando esta tese, ambas as seleções realizaram uma das melhores semifinais da história dos Mundiais, tanto que a decisão de quem passaria para final só aconteceu nas cobranças de pênaltis. Por sinal, foi a primeira disputa de penalidades da história das Copas.


 Só poderia ser nos pênaltis, porque com a bola rolando, ambos mereciam.
(Foto: Arquivo/Reprodução)

No tempo normal, Littbarski e Michel Platini marcaram os gols. Na prorrogação, a França abriu vantagem com Tresor e Giresse, mas Rummenigge e Fischer foram buscar o empate para a Alemanha. Nas penalidades: Kaltz, Breitner, Littbarski, Rummenigge e Hrubesch marcaram para os alemães, enquanto Giresse, Amoros, Rocheteau e Platini fizeram os gols franceses.


Amanhã, a série especial sobre a Copa do Mundo volta para falar sobre os "injustiçados" em convocações da seleção brasileira ao longo da história do mundial.

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