domingo, 9 de fevereiro de 2014

Túlio 1000

Túlio marca tão sonhado milésimo gol com a camisa do Araxá e acaba com sua luta incessante. Relembre a carreira do atacante

De Belo Horizonte.
Por Vinícius Silveira.

08/02/2014 - São 26 anos de carreira e uma verdadeira saga por dezenas de clubes pelo Brasil e exterior. Artilheiro por onde passou. Show de gols, simpatia, polêmicas e alegria. Cada um tem sua forma de descrever Túlio Humberto de Souza Pereira, o Túlio Maravilha, para os íntimos e amantes do futebol folclórico. No histórico dia 8 de fevereiro de 2014, após muita luta, negativas, contestações, o atacante marcou seu milésimo gol na carreira (ao menos por sua conta). O clube escolhido foi o Araxá, e ele saiu da mesma forma como Pelé e Romário se consagraram. Aos 27 minutos do primeiro tempo e cobrando pênalti contra o Mamoré, no Estádio Fausto Alvim, o camisa 7 chegou à glória.



Como tudo começou

Túlio começou sua carreira no Goiás em 1987. Seu primeiro jogo foi uma goleada sobre o Ceres pelo Campeonato Goiano. Marcando muitos gols com a camisa esmeraldina, aos poucos o centroavante foi ganhando projeção fora dos limites de Goiás, e ganhando nome no Brasil. O primeiro feito de destaque foi a artilharia do Campeonato Brasileiro de 1989, com 11 gols, tornando-se o mais jovem artilheiro do nacional, com 20 anos de idade.

Os gols não acabavam. Parecia uma fonte sem fim. Em 1990, por muito pouco não conquistou seu primeiro título nacional. O Goiás encarou o Flamengo na final da Copa do Brasil, mas acabou perdendo para o time de Júnior, Renato Gaúcho, Bobô, Zé Carlos e outros craques. Seu último ano no Goiás foi 1991, onde encerrou sua trajetória pelo Esmeraldino com três títulos do Campeonato Goiano, entre 1989 e 1991, além de artilheiro do estadual no mesmo ano. Fechou sua passagem com 223 jogos e 187 gols.

Futebol suíço

Tamanha projeção nacional, seria difícil um time brasileiro tirar Túlio do Goiás. Em 1992, um grupo de empresários comprou o atacante e o repassou a Sion, da Suíça. Quem achava que o centroavante não iria se adaptar, enganou-se. Em duas temporadas, foram 64 gols em 71 jogos, além de levar o clube a conquistar o primeiro Campeonato Suíço.


Botafogo e uma história 

De volta ao futebol brasileiro, Túlio foi contratado pelo Botafogo em 1994. Logo de cara, marcou três gols contra o América-RJ pelo Campeonato Carioca. O cartão de visitas deu o tom do que seria a passagem de Túlio pelo clube da estrela solitária. No mesmo ano, o time alvinegro chegou às quartas de final do Brasileirão, mas parou diante do Atlético-MG. Mesmo saindo do nacional de forma precoce, Túlio já era artilheiro com 19 gols, sendo igualado por Amoroso, do Guarani.


O ano de 1995 prometia mais, muito mais, mas ainda faltava um título para consagrar o artilheiro. E ele veio. No Campeonato Brasileiro, Túlio era soberano. E com um Botafogo que jogava por música, haja vista a campanha com apenas quatro derrotas em 27 jogos, o centroavante desandou a marcar gols até a final contra o Santos. Mesmo sendo uma decisão cercada de polêmica, o atacante não deixou por menos e marcou dois dos três gols botafoguenses na decisão. Um no Maracanã e outro no Pacaembu.

Em 1996, Túlio continuava marcando muitos gols e fechou sua primeira passagem pelo Botafogo deixando 13 gols no Campeonato Brasileiro. Três a menos que os artilheiros Renaldo, do Atlético-MG, e Paulo Nunes, do Grêmio, que marcaram 16.

Túlio voltou em 1998. Dividindo o ataque com o veterano tetracampeão do mundo Bebeto, o centroavante não foi o mesmo de outros tempos. Mesmo assim, marcou 21 gols na temporada e conquistou o Torneio Rio-São Paulo. Saiu e retornou em 2000, mas ficou muito pouco tempo no time da estrela solitária. Retornou em 2012 com o projeto "Túlio a 1000 - 7 gols de solidariedade", mas o projeto não vingou devido a problemas com a diretoria botafoguense.


Corinthians, Vitória e Cruzeiro

Em 1997, Túlio transferiu-se para o Corinthians prometendo muito gols, e assim o fez. Começou como titular, mas acabou ficando no banco de reservas até o fim do Paulistão. Sem se contentar com a reserva, Túlio se transferiu para o Vitória da Bahia, que tinha uma parceria com o antigo Banco Excel. O banco trouxe Túlio e Bebeto, e o sucesso foi muito grande e a dupla rendeu frutos ao rubro-negro baiano naquele Campeonato Brasileiro. Ambos ficaram até o fim do ano e se transferiram para o Botafogo, clube também parceiro do banco.

Em 1999, Túlio foi contratado pelo Cruzeiro como esperança de substituir o jovem Fábio Júnior, que havia sido vendido no início da temporada para a Roma-ITA. O centroavante chegou e marcou vários gols, sendo um deles o mais importante. Contra o Democrata de Governador Valadares, o atacante marcou seu gol de número 500 na carreira. Mesmo assim, o técnico Levir Culpi não deu sequência de jogo ao camisa 7, promovendo o baiano Alex Alves, também em um ótimo momento na carreira, como titular. Durante quatro a cinco meses, Túlio apenas treinou no clube mineiro. Segundo o próprio artilheiro, foi o gol 500 que iniciou o projeto do milésimo gol.

Em 1999, Túlio conseguiu se desligar do Cruzeiro e foi jogar no arquirrival do Goiás, o Vila Nova. A transferência teve uma repercussão negativa entre os torcedores esmeraldinos, mas isto não deixou o centroavante desestabilizado. Na primeira passagem, marcou seis gols. Em 2001, outros 21 gols. E sua melhor passagem pelo alvirrubro foi entre 2007 e 2008, anotando 51 gols, sendo artilheiro da Série B do Brasileirão de 2007 pelo Vila.

Depois da primeira passagem pelo Vila Nova, Túlio chegou em 2000 ao São Caetano, que ainda não ganhara projeção nacional. Foi artilheiro e campeão da Série A-2 do Paulista marcando 18 gols. Em 2001, foi para o Santa Cruz, sem o mesmo brilho.

Futebol húngaro, boliviano e árabe
 
Túlio saiu do Brasil pela segunda vez para atuar no futebol húngaro. O Újpest ganhou a tradicional Copa da Hungria e o atacante foi artilheiro por lá. Em 2004, o centroavante foi contratado pelo Jorge Wilstermann para disputa da Taça Libertadores da América. Eliminado ainda na primeira fase, disputou a Copa Aerosul, foi campeão e artilheiro com seis gols, e disputou o Campeonato Boliviano. Fechou sua passagem pela Bolívia com 29 jogos e 24 gols. Em 2005, transferiu-se para o Al-Shabab, de Dubai, mas sequer atuou por lá.

 Tulio atuando pelo futebol da Hungria.
(Foto: Divulgação)

Peregrinação por diversos times do Brasil

Ao todo, foram 22 clubes entre 2003 e 2014, tudo pela luta incessante pelo milésimo gol. Em alguns times, Túlio marcou presença, como os 30 gols pelo Brasiliense, 23 pelo Atlético-GO (entre eles o gol 600), 30 pelo Canedense-GO em duas passagens, e 26 pelo Itauçuense, hoje Nerópolis, também de Goiás. Em outros times, Túlio jogava pouco, a ponto de chegar a atuar em menos de cinco jogos. Em 2011, foram seis clubes em uma só temporada. O Vilavelhense foi o único em 2013, mas jogando apenas duas vezes. 

Finalmente, o milésimo gol

Em 2014, Túlio, aos 44 anos, assinou contrato com o Araxá para disputar o Módulo II do Campeonato Mineiro. Logo em seu primeiro jogo pelo time local, Túlio marcou de pênalti o seu tão sonhado milésimo gol na carreira. Dedicou o gol a esposa e aos filhos, sem esquecer, claro, dele mesmo.



Seleção brasileira

Talvez um dos gols mais polêmicos marcados pela Seleção Brasileira foi de Túlio. Contra a Argentina, na disputa das semifinais da Copa América de 1995, o atacante dominou a bola com o braço esquerdo e finalizou contra as redes argentinas. O gol foi irregular, mas a arbitragem validou o lance. O jogo ficou em 2 a 2. Nos pênaltis, Taffarel defendeu duas cobranças. Ao todo, foram 15 jogos e 14 gols com a camisa canarinho.

Curiosidades e histórias

- Em 2003, Túlio posou nu para a revista masculina G Magazine. Na época, jogava pelo Atlético Goianiense.

- Em 2008, foi eleito vereador por Goiânia. O artilheiro teve 9 mil votos. Entretanto, só poderia exercer o mandato se atuasse por um clube goiano. Por conta disso, foi jogar no Itumbiara.

- Em 2011, Túlio teve seu nome citado em conversas com o empresário Carlinhos Cachoeira, em investigações da Polícia Federal, conhecidas como Operação Monte Carlo. O atacante pediu emprestado 30 mil reais para custear sua campanha política para deputado estadual em 2010. O caso foi confirmado por seu advogado Levy Leonardo.

Continuar no futebol?

Túlio ainda tem um contrato de cinco jogos contra o Araxá, Se vai continuar jogando após o encerramento de sua passagem por Minas, nem ele mesmo sabe, mas o próprio já disse que vai atacar em outros campos.

"Vou me transformar em comentarista. De certa forma, vou continuar no futebol", afirmou.

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