segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Hora de superar

Brasileiros colocam superação como objetivo em Sóchi. País terá a maior delegação de sua história nos Jogos de Inverno

De São Paulo.
Por Agência ANSA.

03/02/2014 - Diversas cidades brasileiras tem enfrentado neste começo de ano o verão mais quente dos últimos tempos. Mas enquanto dezenas de milhões de pessoas lutam bravamente contra a escaldante onda de calor que cobre o país, uma equipe de 13 atletas viajou à gelada Sóchi, na Rússia, para representar o Brasil nas Olimpíadas de Inverno de 2014, que começam no próximo dia 6. É bem verdade que a sede dos Jogos, uma estância balneária da região do Cáucaso, não é tão fria assim. Os termômetros dificilmente marcam temperaturas negativas, mas é lá e nas montanhas nevadas de Krasnaja Poljana, a alguns quilômetros dali, que a maior delegação verde-amarela da história da competição tentará mostrar que ser de uma nação tropical não impede ninguém de sonhar com o sucesso na neve.



Os desafios, é claro, são muitos e enormes. Faltam equipamentos, patrocínios, lugares adequados para treinar, tradição. Por isso os esportistas, acima de posições, tempos ou marcas, colocam a superação pessoal como principal meta a ser batida. "Resultados dependem de muitas coisas, e isso pode gerar uma frustração às vezes. Você pode ter um desempenho bom e um resultado ruim. Eu quero chegar ao meu máximo, cruzar a linha de chegada quase sem sentir as pernas", conta Leandro Ribela, que vai competir na prova de esqui cross country, estilo sprint, tornando-se o primeiro brasileiro a disputar a modalidade nos Jogos.


O atleta viajou para a Europa em novembro do ano passado para se aprimorar física e tecnicamente. Após uma temporada na Suécia e outra na Áustria, ele embarca para a Rússia para tentar colocar em prática todos os avanços obtidos nos treinamentos. "Eu trabalhei muito para atingir o índice olímpico, não foi fácil, mas consegui atingir todas as metas que tinha definido com minha equipe. Tenho feito ótimos treinos e boas competições, estou confiante", garante.

Já Isabel Clark, em sua terceira Olimpíada de Inverno, pode se considerar uma veterana. Praticante de snowboard cross, ela tem como melhor resultado um 9º lugar nos Jogos de 2006, em Turim (Itália). Sua meta para 2014? Aproveitar. "Espero poder fazer o meu melhor, e para isso quero estar tranquila e concentrada, com boas sensações e feliz. Esse é o meu objetivo", diz. Enquanto isso, Edson Bindilatti, capitão da equipe de bobsled, esporte no qual os competidores descem uma pista de gelo dentro de um trenó, sonha em alcançar a 20ª colocação. Parece pouco, mas as dificuldades impostas pela carência de recursos e pelo clima brasileiro tornam tudo mais complicado.

O time, que também inclui Edson Martins, Fábio Silva e Odirlei Pessoni, treinou completo durante somente 10 meses, sendo que pouco menos da metade desse tempo de forma intensiva. A força e a velocidade que a modalidade exige são exercitadas no atletismo, e eles usam um trenó adaptado para praticar o "push", parte em que precisam empurrar o equipamento para ganhar velocidade. "Aí quando abrem as pistas no exterior, nós viajamos", explica o capitão. Em meio às limitações, Bindilatti se mostra contente apenas em estar em Sóchi. E mesmo que o almejado 20º lugar não seja alcançado, isso não será motivo para tristeza. "Se ficarmos em 24º já será uma grande vitória, seria a melhor colocação do bobsled brasileiro nos Jogos. Ainda temos muito a melhorar, pilotagem, materiais, mas vamos com toda a vontade para chegar ao nosso auge", acrescenta.

A delegação brasileira ainda reserva espaço para aqueles que trazem um certo tempero estrangeiro, como Jhonatan Longhi, que nasceu no interior de São Paulo, mas foi adotado por um casal da Itália quando ainda era criança e desde então vive no país europeu. Lá desenvolveu a paixão pelo esqui, esporte muito amado pelos habitantes locais. "Meu pai era apaixonado, me levava para a montanha quando eu era pequeno e eu me apaixonei também", afirma ele, que compete no esqui alpino slalom. Tendo crescido em uma nação com uma história vitoriosa nas modalidades de neve, Longhi também prefere não estabelecer meta para as Olimpíadas. "Não precisa ter tanta expectativa, na hora pode mudar tudo, mas eu espero fazer o meu melhor", completa. (ANSA)

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