quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Voltem, 10!

De Belo Horizonte. 
Por Matheus de Oliveira. 

19/12/2013 - O cara que, ao receber a bola, já sabia a consequência da jogada antes mesmo dela acontecer. Dos pés dele, saíam as principais chances de gol, os certeiros passes de trivela, a elegante matada no peito, a enfiada que desorganizava a defesa adversária, os lances que todos querem ver para sentir o prazer do que é belo.

Rivaldo, o camisa 10 do penta, ao ser apresentado no São Paulo, em 2011.
(Foto: João Neto/Vipcomm)

Sentimos falta dele. Sim, eu e você sentimos falta dele. Admita! Um deles também sente falta deles. Por onde andam os camisas 10? Ronaldinho Gaúcho e nós queremos saber.

Em entrevista ao programa "Bem, Amigos!", do Sportv, no início do mês, o craque atleticano lamentou: "Hoje ninguém quer ser o camisa 10. Hoje, os meninos querem ser o 9, o cara que faz o gol". A afirmação ilustra aquela que é, talvez, a principal característica do futebol contemporâneo, de modo geral: a busca pela eficiência. De modo geral, pois, há vozes - poucas, mas poderosas - discordantes deste modelo.

Ainda que pareça o saudosismo que já combati em colunas anteriores, é impossível, para quem gosta da essência do futebol, não se chatear pelo sumiço dos camisas 10. O número permanece nos uniformes das agremiações, mas a característica do jogador criativo, aquele que trata a bola com carinho, e não com carrinho, perdeu-se. Poucos são os exemplos atuais de futebolistas assim.

Um dos que se encaixam neste perfil é Paulo Henrique Ganso, do São Paulo. Punido pelo futebol-força, jogaria facilmente anos atrás, quando os volantes eram os únicos responsáveis pela marcação no meio-campo. Hoje, apesar da qualidade técnica, não seria capaz de atuar no futebol italiano, garante Seedorf, meia do Botafogo. Não jogaria na Europa, acrescento. As críticas destinadas a Ganso são pertinentes. Falta a ele jogar coletivamente, correr mais em campo, dizem os técnicos. Falta ao futebol menos correria e mais Paulo Henrique Ganso, digo aos treinadores.

Utopia pensar que os verdadeiros camisas 10 voltarão um dia, mas se sonhar não paga...

Confira mais colunas na página do "A bola está comigo".

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