segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Paciência para sorrir

Marcelo Oliveira encarou dois anos de fila e o preconceito de alguns torcedores até chegar ao auge da carreira. As três últimas temporadas testaram os nervos do treinador, que soube lidar bem com a pressão

De Belo Horizonte. 
Por Matheus de Oliveira. 

11/11/2013 - Marcelo Oliveira chegou ao “quase” duas vezes, ambas pelo Coritiba. A primeira, na decisão da Copa do Brasil contra o Vasco, em 2011, e a segunda na mesma situação, mas diante do Palmeiras, no ano seguinte. Finalmente, o treinador vai debutar como campeão nacional. Seu trabalho no Cruzeiro fez até com que o técnico do rival, Cuca, o colocasse como o melhor deste Campeonato Brasileiro. Marcelo merece, principalmente para sentir o prazer de calar quem o prejulgou.

Desde seu início de carreira comandando equipes profissionais, Marcelo mostrou que poderia crescer. Após “tapar buraco” no Atlético, como fez diversas vezes, em 2008 ele decidiu que não voltaria à base do Galo e começaria a traçar sua história entre os marmanjos da bola. Voltou com o Ipatinga à primeira divisão do Campeonato Mineiro. Do Paraná Clube, onde realizou um trabalho dentro das expectativas, foi para o rival Coritiba, indicado pelo também mineiro Ney Franco. No Coxa, ganhou a simpatia da torcida e da crônica pela competência e simplicidade, além de ter conquistado uma série recorde de 24 vitórias seguidas. Veio o Vasco e... melhor esquecer. Os cruz-maltinos jogaram-no na fogueira.

A modesta campanha do Cruzeiro no Brasileirão de 2012, sob a batuta de Celso Roth, fez com que a diretoria celeste anunciasse a demissão do então comandante estrelado antes mesmo do fim do campeonato. A partir de então, a Raposa deixou claro o desejo de contar com Marcelo Oliveira no controle do vestiário. A informação vazou para a imprensa e parte dos cruzeirenses, inconformados pelo treinador ter marcado época em um dos maiores times do Atlético, fizeram até manifestação em frente à sede do clube. Nada que desmotivasse Marcelo a demonstrar seu profissionalismo; pelo contrário.

Ao fim do Brasileiro, a diretoria confirmou a chegada do novo comandante. Sob desconfiança de muitos, o técnico teve paciência para aturar as perguntas sobre a marca contraditória que carregaria como futebolista ao defender uma camisa antes vista como rival.

Começa a temporada e o Cruzeiro anuncia reforços que se tornariam imprescindíveis no decorrer do ano, como Nilton e Éverton Ribeiro. Duas pedidas de Marcelo. Aos poucos, mas com incrível rapidez, Oliveira deu liga a um time montado no início do ano. As peças se encaixaram, mas a Raposa não figurava entre os favoritos para conquistar o Brasileiro.

Outras equipes, já prontas, como Corinthians, Fluminense e Atlético, eram apontadas como candidatas ao título. Surpreendentemente, como é de hábito no futebol, os grandes de Rio e São Paulo estagnaram – a surpresa é o fato de sete deles, ao mesmo tempo, terem um desempenho ruim. Salvo o Botafogo. Grêmio e Internacional nem ameaçaram a Raposa, apesar de o Tricolor gaúcho se firmar no G-4. O Galo pensa, vive e come o Mundial. Sobrou espaço para os médios, como Atlético-PR, Vitória e Goiás, sem fôlego para chegar à ponta. Problema deles.

A Raposa fez o seu papel. Jogou o que poderia e foi o suficiente para liderar o campeonato do início ao fim. O demérito alheio pode justificar parte da boa campanha cruzeirense, mas os pontos positivos do time mineiro certamente foram mais importantes. A defesa é a segunda menos vazada do Nacional e o ataque é o que mais marcou gols. Isso basta para rebater qualquer argumento que desmereça a conquista. E tudo só foi possível por causa de Marcelo, que trabalhou da montagem do elenco ao que foi praticado em campo. Em uma tacada, o treinador levanta seu primeiro troféu de nível nacional e faz com que quem o criticou se curve a ele.


Foto: Washington Alves/Vipcomm


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