quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Brasil finalmente está mais azul

A matemática decreta de uma vez o campeão brasileiro de 2013: na Bahia, Cruzeiro bate Vitória e comemora tri com quatro rodadas de antecedência

De Belo Horizonte.
Por Júlia Alves.

14/11/2013 - O Cruzeiro entrou em campo na noite desta quarta-feira (13) querendo os três pontos para se sagrar campeão. No entanto, o adversário da vez era o Vitória, que não perdia há seis jogos e precisava vencer para se aproximar do G-4 e continuar lutando por uma vaga na Libertadores. O jogo válido pela 34ª rodada do Brasileirão era equilibrado, com as duas equipes criando muitas chances. A Raposa foi mais efetiva e abriu o placar ainda no primeiro tempo. Na volta do intervalo, os jogadores cruzeirenses ficaram sabendo da derrota do Atlético-PR, resultado que garantia o título ao mineiros independente do placar no Barradão. Mas, como se concentrar em uma partida querendo gritar campeão? O time cruzeirense não só jogou com seriedade, mas também venceu o oponente por 3 a 1, com um show a parte do goleiro Fábio, que segurou o ataque baiano de todas as maneiras.


O Cruzeiro chegou aos 74 pontos contra os 58 pontos do Atlético-PR, segundo colocado. Dessa maneira, ninguém mais alcança o time mineiro que, apesar de já ter comemorado na última rodada, só agora é matematicamente campeão, igualando o recorde do São Paulo, que em 2007, também foi campeão com quatro rodadas de antecedência. Já o Vitória permaneceu no sexto lugar, com 51 pontos, a cinco do Goiás, novo quarto colocado.

Na próxima rodada, o já campeão Cruzeiro receberá a Ponte Preta no domingo (17), às 17h, no Parque do Sabiá, em Uberlândia, cumprindo punição por briga entre seus torcedores no clássico contra o Atlético. O Vitória jogará no mesmo dia e horário contra o Santos, no Barradão.

Foto: Divulgação/Site oficial do Cruzeiro

O jogo

Em um primeiro tempo com muito volume de jogo, os dois times criaram muitas chances. O Cruzeiro mostrou porque possui o melhor ataque do Brasileirão e converteu em gol. No entanto, a equipe mineira estava desfalcada e a defesa sofreu com a falta de entrosamento, deixando muitos espaços para o adversário. O Vitória também armou boas jogadas, porém, não conseguiu balançar as redes.

A partida era lá e cá. Aos dez minutos, Dinei recebeu na área, livrou-se da marcação e chutou de bico; Fábio tocou com a ponta dos dedos e impediu o gol do Vitória. O Cruzeiro respondeu em seguida, trocando passes, e chegou até a área do adversário. A bola se ofereceu para Dagoberto, Borges e Willian, mas ninguém finalizou.

As duas equipes também perderam oportunidades claras. Aos 21 minutos, Borges recebeu na área e tentou uma meia bicicleta; a bola passou a centímetros da trave. Dois minutos depois, Marquinhos recebeu livre na área, chutou forte e o goleiro cruzeirense fez outra grande defesa.

Depois de um festival de gols perdidos, o atacante Willian mostrou porque tão rápido ganhou o reconhecimento da torcida cruzeirense. Aos 35 minutos, após chutão da defesa, Dagoberto dominou na intermediária e passou para Willian, que invadiu a área e tocou na saída de Wilson; o "Bigode Grosso" abriu o placar no Barradão e viu o título mais perto.

O Cruzeiro voltou a campo para o segundo tempo sabendo da derrota do Atlético-PR por 2 a 1 para o Criciúma, resultado que dava o título ao time mineiro independente do placar na Bahia. Os jogadores comemoraram um pouco, mas ainda havia uma etapa desse jogo. Com certeza, foram os 45 minutos mais longos da vida desses atletas. Enquanto os torcedores comemoravam em todo o Brasil, os jogadores se esforçavam para concentrar no restante da partida para depois comemorar.

O Vitória até deu a impressão que colocaria água no chopp da festa cruzeirense. A defesa celeste errou na saída de bola, William Henrique avançou pela esquerda e passou para Dinei, que dividiu com Fábio e empatou o jogo. Era compreensível essa dificuldade de focar nesse confronto quando o grito de campeão estava entalado na garganta.

O Cruzeiro não se abalou com o gol sofrido e deixou evidente mais uma vez porque é o melhor time do país na atualidade. A vitória desta partida foi um retrato do campeonato. Tudo começou por um grande goleiro, que fechou o gol em diversas jogadas, como aos 24 minutos. Cáceres achou Wiiliam Henrique na direita, o atacante viu Dinei no meio da área e passou para o centroavante, que pegou de primeira e Fábio salvou.

O ataque mais eficiente da competição estava com fome de gols para completar a festa do título, e por isso foi com força total. Aos oito minutos, em cobrança de falta ensaiada, a bola foi rolada para Lucas Silva, que mandou uma bomba e Wilson espalmou para fora. Se na primeira tentativa o goleiro defendeu, aos 25 minutos, ele nada pôde fazer. Dagoberto recebeu livre na área, viu a saída de Wilson e, em vez de chutar, tocou para Júlio Baptista, sem marcação, apenas tocar a bola para o fundo das redes.

O Vitória não desistia. A bola foi cruzada na área e sobrou com Kadu aos 32 minutos; o zagueiro esperou a bola tocar no chão e mandou de primeira para acertar o travessão de Fábio. Mas a noite era mesmo de festa cruzeirense. Willian apareceu na entrada da área, aos 35 minutos, e passou com açúcar para Ricardo Goulart; o meia bateu de primeira, de chapa, no contrapé de Wilson, e marcou o terceiro do Cruzeiro.

Depois do apito final, foi só deixar o grito sair e comemorar a tão merecida conquista. Líder inquestionável desde a 16ª rodada, o Cruzeiro mostrou um futebol bonito e ofensivo. Uma equipe consistente que não era considerada uma das favoritas, mas deixou claro o seu potencial ao longo da competição que já tem um campeão com quatro rodadas de antecedência.

Ficha de jogo:

Vitória 1 x 3 Cruzeiro

VITÓRIA:
Wilson; Ayrton, Victor Ramos, Kadu e Juan; Marcelo (Euller), Cáceres, Escudero e Renato Cajá (William Henrique); Marquinhos e Dinei.
Técnico: Ney Franco

CRUZEIRO:
Fábio; Mayke, Dedé, Léo e Egídio (Everton); Leandro Guerreiro, Lucas Silva e Ricardo Goulart; Dagoberto (Tinga), Borges (Júlio Batista) e Willian.
Técnico: Marcelo Oliveiro

Local: Barradão, em Salvador (BA)
Público: 25.002 pagantes - 27.168 presentes
Renda: R$ 361.440
Data: 13/11/2013
Horário: 21h50 (de Brasília)

Gols: Dinei, aos cinco minutos do segundo tempo (Vitória); Willian, aos 35 minutos do primeiro tempo, Julio Batista, aos 25, e Ricardo Goulart, aos 35 minutos do segundo tempo (Cruzeiro)

Árbitro: Paulo Henrique de Godoy Bezerra (SC)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Neuza Ines Back (SC)

Cartões amarelos: Juan, Vitor Ramos (Vitória), Borges (Cruzeiro)

***

34ª rodada: 
Quarta (13), às 19h30:
Goiás 2x0 Ponte Preta 
21h: 
21h50: 
Coritiba 0x1 Corinthians 
Quinta (14), às 19h30: 
Santos x Bahia 
21h: 
Atlético-MG x Internacional 
Fluminense x Náutico 

Classificação:
1º - Cruzeiro - 74 pontos
2º - Atlético-PR - 58 pontos
3º - Grêmio - 57 pontos
4º - Goiás - 56 pontos 
5º - Botafogo - 54 pontos
6º - Vitória - 51 pontos
7º - São Paulo - 49 pontos e 14 vitórias
8º - Atlético-MG - 49 pontos e 13 vitórias (33 jogos)
9º - Corinthians - 48 pontos
10º - Santos - 45 pontos, 11 vitórias e 7 gols de saldo (33 jogos)
11º - Internacional - 45 pontos, 11 vitórias e 2 gols de saldo (33 jogos)
12º - Flamengo - 45 pontos, 11 vitórias e -1 gol de saldo
13º - Portuguesa - 41 pontos, 10 vitórias e 1 gol de saldo
14º - Coritiba - 41 pontos, 10 vitórias e -4 gols de saldo  
15º - Criciúma - 39 pontos e 11 vitórias
16º - Bahia - 39 pontos e 9 vitórias (33 jogos)
17º - Vasco - 37 pontos
18º - Fluminense - 36 pontos (33 jogos)
19º - Ponte Preta - 34 pontos 
20º - Náutico - 17 pontos (33 jogos)

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