terça-feira, 1 de outubro de 2013

Coluna: Jogo de interesses

Por Vinícius Silveira.

01/10/2013 - “Os jogadores de futebol parecem que viraram máquina”. A declaração é do atacante Borges, do Cruzeiro, que, assim como outros, decidiram bater o pé contra o calendário do futebol brasileiro em 2014. O jogador engrossou o coro de muitos outros atletas que se sentem insatisfeitos, até mesmo desvalorizados pela CBF, entidade máxima do futebol brasileiro. Quando ela mesma deveria prezar pelo bem-estar de quem faz a bola rolar e são os verdadeiros donos do espetáculo, a confederação fez um gol contra.

Por conta da Copa do Mundo em 2014, o início dos campeonatos foi adiantado para 12 de janeiro, bem menos que os 30 dias que qualquer outro trabalhador tem por lei para tirar férias. O Brasileirão termina em 8 de dezembro deste ano, e a maioria dos times deverão retornar às atividades de pré-temporada pouco depois do réveillon.




Para citar um exemplo, o Atlético-MG só deverá dar fim às suas atividades futebolísticas no dia 21 de dezembro, dia da final do Mundial de Clubes no Marrocos. Para provar que esta não é apenas uma movimentação sem valor, o sindicato dos jogadores de futebol do Brasil, a FENAPAF, sugeriu um greve dos atletas nas duas últimas rodadas do Brasileirão, nos dias 1 e 8 de dezembro.

As palavras de jogadores como Borges, do Cruzeiro, e outros atletas que estão se mobilizando, não deverão ficar apenas nos microfones. Porém, tem mais um nesta lista de interesses: a TV Globo. A emissora carioca paga, muito bem por sinal, para ter o futebol brasileiro com exclusividade. E ela não vai querer ficar no prejuízo. Além do mais, ela já provou sua força dentro e fora das quatro linhas.

Não há dúvidas que os jogadores deverão se mobilizar para defender seus interesses. Afinal de contas, eles vão buscar suas defesas para manter a regularidade do futebol, pois os mesmos creditam os desgastes físicos decorrentes na temporada ao curto espaço para recuperação dos mesmos. Como afirmou o meia Alex em entrevista à ESPN, o treinador no Brasil é avaliado por um trabalho que ele não fez, porque não consegue trabalhar com o excesso de jogos, citando o caso do demitido Marquinhos Santos, ex-treinador do Coritiba.

Cada um fará jus à sua defesa, e querendo ou não, todos estão certos em suas defesas. Quem vai ficar no meio do tiroteio é a CBF, que tem por obrigação proteger o futebol nacional. Ou ela vai jogar contra?

Perguntas que serão respondidas nos próximos capítulos.

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